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Orgulho e Saúde Coletiva: A diversidade que cura e o ESG que transforma e escolhe o lado da vida

A Parada é um espaço de resistência e saúde, promovendo a inclusão e a visibilidade da comunidade LGBT+  |  Arquivo Pessoal

Publicado em 25/07/2026, às 18h36 - Atualizado às 18h40   Arquivo Pessoal   Marcelo Cerqueira*

No dia 6 de setembro, o Farol da Barra será palco da 23ª Parada do Orgulho LGBT+ da Bahia. O tema deste ano,” Orgulho e Saúde Coletiva” não é slogan. É diagnóstico. E convite ao mundo corporativo.

Começo pelo diagnóstico. Estudo do Banco Mundial revelou o que já sabíamos: a taxa de desemprego entre pessoas LGBTI+ é de 15,2%, o dobro da média nacional (7,7%). Entre travestis e pessoas trans, aproximadamente 70% não concluíram o ensino médio e apenas 0,02% estão no ensino superior. Uma professora da UNEB me disse: "Coitadas, quando se formam não conseguem emprego." Uma pessoa LGBT+ é morta a cada 34 horas. Jovens LGBT têm no suicídio a 4ª causa de morte. Isso não é genética, é violência estrutural, passivo de séculos de colonização, discriminação e abandono institucional.

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O Estado republicano tem o dever constitucional de prover saúde, mas sempre nos tratou como patologia. A homossexualidade só deixou de ser doença no Brasil em 1985, por pressão do Grupo Gay da Bahia e do doutor Luiz Mott, extinguindo o CID 302. A OMS só fez o mesmo em 1990. A Política Nacional de Saúde Integral LGBT existe desde 2011, mas não saiu completamente do papel. Profissionais não são capacitados. Pessoas trans que ainda não fizeram retificação são tratadas pelo nome morto, cuidado é negado.

É aí que o orgulho entra como tecnologia de cuidado. Orgulho é o antídoto para a vergonha que nos ensinaram desde a infância. Quando milhares ocupam a rua no Farol da Barra, desativam, um corpo de cada vez, o mecanismo do isolamento e da culpa. Produzem saúde em escala populacional. A Parada é o maior dispositivo de saúde comunitária do estado, sem jaleco, sem burocracia, na rua.

A Parada é a reocupação do espaço que nos foi negado. A cada edição, gravamos no território uma marca simbólica permanente que não se apaga.

Ouço falar em "fadiga de pauta". A suposta fadiga é o álibi de quem nunca precisou lutar para respirar. O que saturou foi a hipocrisia de marcas que celebram o orgulho enquanto financiam opressores. A saturação não é da pauta, é da performance vazia que coloca arco-íris na fachada e mantém a travesti no subemprego. Estamos diante de um realinhamento de longo prazo: a era da visibilidade contemplativa acabou. O recuo no apoio corporativo é a resposta imunitária de um sistema que não quer ceder privilégios. Precisamos abandonar a "simpatia corporativa" e construir força política e econômica autônoma.

Dito isso, o convite às empresas que escolhem o lado certo. O mercado LGBT movimenta R$ 400 bilhões por ano. Setenta e três por cento desse público prefere marcas comprometidas e boicota as omissas. Empresas diversas são 36% mais competitivas (McKinsey). Apoiar a Parada é ação concreta de ESG.

No Social, é investir em equidade onde o braço do Estado não alcança. Governança, é demonstrar que direitos humanos são recurso no território, não discurso. No Ambiental, é apoiar um evento sustentável. Não há ESG consistente sem diversidade real. Não há diversidade sem enfrentamento ao adoecimento que o sistema produz.

A 23ª Parada do Orgulho LGBT+ da Bahia acontece em 6 de setembro, no Farol da Barra. O tema é saúde coletiva. O remédio é o orgulho. A receita é coletiva. Sua empresa pode escolher o lado da vida.

*Marcelo Cerqueira é historiador, Escritor, Estrategista da Diversidade. jornalista (DRT 2135-BA) e diretor executivo do Grupo Gay da Bahia (GGB).

As opiniões expressas neste artigo são de responsabilidade do autor e não refletem, necessariamente, a posição editorial do site.

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