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Parece obsessão

A rivalidade entre Mara Maravilha e Xuxa Meneghel se intensifica, revelando uma possível obsessão que vai além da nostalgia  |  Foto: Arquivo pessoal / José Medrado

Publicado em 10/08/2026, às 20h42   Foto: Arquivo pessoal / José Medrado   José Medrado

As investidas de Mara Maravilha sobre Xuxa está se tornando, à primeira vista, uma fixação, uma obsessão. A memória da televisão brasileira entre as décadas de 1980 e 1990 ocupa um lugar afetivo no cotidiano do público, que tem prestigiado a Rainha dos Baixinhos, em seus shows nostálgicos . No entanto, as recorrentes declarações e atitudes de Mara Maravilha em relação a Xuxa Meneghel transformaram a nostalgia em um palco de exposição excessiva e ruído permanente. O que se observa hoje na mídia ultrapassa a rivalidade infantil do passado: desenha-se a dificuldade evidente de aceitar o lugar que a história da cultura pop reservou para cada uma delas. A picuinha ganha contornos mais explícitos quando Mara aponta a lente da crítica para os detalhes mais banais do figurino de Xuxa ou quando questiona abertamente a capacidade vocal da rival. Ao desafiar publicamente o "gogó" da apresentadora e soltar a voz para provar uma suposta afinação superior, o recurso expõe a busca desesperada por uma validação artística que o tempo já estabeleceu. Trata-se de uma postura que, aos olhos da crítica e dos leitores, evidencia uma incômoda frustração diante do gigantismo alheio.

Analisar esse comportamento sob uma perspectiva verdadeiramente humana não significa condescendência, mas sim a leitura realista do meio artístico. A inveja e o ressentimento costumam nascer do choque com a realidade quando o tempo, a mídia e o público distribuem peso e reconhecimento de forma desigual, mas sempre de acordo, claro, com a produção, o alcance, o carisma de cada artista. Mara Maravilha construiu uma carreira sólida, com apelo popular indiscutível, e possui seu nome devidamente cravado na história do entretenimento nacional. Contudo, a tentativa insistente e ostensiva de medir forças com o fenômeno Xuxa acaba produzindo o efeito oposto: apequena a estatura de suas próprias conquistas. Dá-nos a impressão de uma represa de mágoa e, possivelmente, inveja não trabalhada. Ao transformar a amargura em combustível para atrair cliques e manchetes de ocasião, ganha-se a atenção passageira das redes sociais, mas se compromete a dignidade da própria trajetória. A dor de sentir seu espaço relativizado pela memória coletiva é compreensível no ambiente implacável da fama, mas a recusa sistemática em virar a página converte um certo legado construído em um contínuo e lamentável espetáculo de autossabotagem da própria história.

Classificação Indicativa: Livre


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