BNews Agro
Publicado em 10/06/2026, às 17h34 Devid Santana / BNEWS Antonio Dilson Neto e Lucas Pacheco
O custo com a eletricidade é, historicamente, um dos principais vilões na planilha de gastos de quem produz no campo. De olho nessa dor do produtor rural, a Neoenergia aproveitou os holofotes da Bahia Farm Show para detalhar uma modalidade contratual que vem ganhando força no oeste baiano: o Mercado Livre de Energia. O modelo promete dar liberdade de escolha ao consumidor e aliviar o caixa das empresas.
Em entrevista ao BNews, Leonardo Souza, gerente comercial da companhia, explicou que o ecossistema funciona como um balcão de negociação direta. Em vez de ficar refém do modelo regulado tradicional, o cliente compra o insumo da própria geradora — que opera com matrizes eólicas, hidráulicas e solares —, utilizando apenas a rede de transmissão da distribuidora local.
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Dependendo do perfil de consumo, do horário em que essa energia é utilizada e do momento exato da assinatura da parceria, o benefício flutua entre 20%, 30% e até 40% de abatimento real”, revelou o executivo.
Apesar dos números atrativos, a migração exige o cumprimento de critérios técnicos específicos. Souza esclarece que o formato é direcionado para os chamados consumidores do "Grupo A", clientes de média e alta tensão que possuem transformador próprio na propriedade.
De forma prática, o perfil engloba a maioria das propriedades rurais da região, como algodoeiras, usinas de beneficiamento e redes comerciais de médio porte, que, geralmente, já possui o próprio transformador e já está ligado à rede de alta tensão.
As fazendas, por exemplo, praticamente todas elas têm esse tipo de consumo. São contas basicamente a partir de R$ 5.000 de consumo.
Uma das maiores vantagens apontadas pelo especialista é a blindagem contra as oscilações do setor elétrico nacional. Ao firmar um acordo bilateral que pode variar de 1 a 10 anos, o comprador sabe exatamente quanto vai investir no insumo no longo prazo, blindando-se de surpresas orçamentárias.
“O contrato é atualizado unicamente pela variação do IPCA. O consumidor fica completamente livre do impacto das bandeiras tarifárias amarela ou vermelha. Se o sistema nacional encarecer, o cliente paga apenas o valor que foi estipulado em contrato”, explicou Souza, lembrando também que o pagamento só ocorre após o consumo consolidado.
Além da estratégia financeira, a adesão ao modelo conversa diretamente com as exigências globais de conformidade ESG (Governança Ambiental, Social e Corporativa). Toda a energia comercializada nessa modalidade carrega uma certificação de origem renovável. Isso permite que as fazendas utilizem o selo verde em suas campanhas de marketing e abatam índices no protocolo de emissão de gases de efeito estufa.
Para os produtores do oeste que já investiram pesado na instalação de usinas solares fotovoltaicas em seus terrenos, o gerente comercial sinalizou que os sistemas são complementares e não excludentes.
"Muitos aqui já tem energia solar já em seus em seus empreendimentos. Também é possível migrar para o Mercado Livre, continuar com a energia solar, mas também ter esse benefício. Ou seja, você reduz com a energia solar, amplia a sua redução de custo com o Mercado Livre de energia com a Neoenergia".