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Publicado em 03/01/2025, às 09h37 - Atualizado às 10h13 Divulgação / Pixabay Publicado por Vagner Ferreira
Com orçamento apertado para 2025 e alta dos juros, o Governo deve dificultar o acesso ao crédito rural. O subsecretário de Política Agrícola e Negócios Agroambientais do Ministério da Fazenda, Gilson Bittencourt, acredita que será necessário encontrar um equilíbrio entre a oferta de recursos subsidiados e as taxas finais a serem cobradas dos produtores no próximo Plano Safra (2025/26).
De acordo com informações do portal Globo Rural, Bittencourt sinalizou que a escalada da Selic pressiona o gasto com a equalização dos juros do crédito rural subsidiado. “Vamos ter um aumento nos custos de equalização em relação ao que previmos. Teremos que buscar um ajuste para isso”, disse Bittencourt, segundo reportagem.
A decisão do Governo deverá ficar entre aumentar as taxas dos financiamentos a partir de julho de 2025 ou diminuir o alcance dos recursos equalizados. Na Safra 2024/25, já houve aumento na manutenção dos juros e no orçamento para ajustes e manutenção.
Em 2024, o orçamento para a subvenção de juros do crédito rural foi de R$ 11,8 bilhões, sendo que R$ 3,4 bilhões foram para financiamentos de investimentos, R$ 1 bilhão para o custeio agropecuário, R$ 6,8 bilhões para o Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf) e R$ 621 milhões para dívidas do crédito rural.
O Plano Safra 2024/25 foi impactado pelo aumento da Selic, que chegou a 12,25%. A expectativa é de aumento de mais dois pontos percentuais no início de 2025. O orçamento é usado para equalizar taxas de operações de 2024, e assim, o Tesouro sempre tenta prever uma “sobra”. Para 2025, a proposta inicial do governo pretende aumentar a verba para R$ 14,8 bilhões.
“Como agora vai ter um gasto maior, na elaboração do próximo Plano Safra, o residual que vai sobrar em relação ao que já terá sido comprometido com pagamento das operações contratadas em anos anteriores vai ser menor. Com isso, vamos ter mais dificuldade para fechar o Plano Safra”, estimou Bittencourt, em reportagem do Globo Rural.
“Em certos aspectos, será ainda mais restritivo em termos de orçamento. Vamos ter que tentar construir o Plano Safra com um cenário mais arrochado em termos de disponibilidade de equalização”, continuou.
A contratação de recursos teve aumento nos cinco primeiros meses da safra, que foi de julho a novembro de 2024, com acréscimo de 48%, para 404,5 mil, e montante financiado em mais 32%, contabilizando R$ 67,4 bilhões.
O Plano Safra 2024/25 anunciou R$ 476,6 bilhões, com menos de um terço equalizado. São R$ 133,6 bilhões com subsídio direto do Tesouro, e desses, R$ 42,5 bilhões são para a agricultura familiar e R$ 91,1 bilhões para médios e grandes produtores.
O subsecretário acredita que linhas de créditos podem ser soluções para determinados financiamentos. “Mas não tem mágica, não faz fluir dinheiro a taxas baixas. Já dissemos que estávamos chegando quase no limite das fontes direcionadas (poupança rural, depósitos à vista e LCAs), e já estamos no limite”, concluiu em reportagem.
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