BNews Folia
Publicado em 03/03/2019, às 21h18 Bruno Luiz/BNews Bruno Luiz e Aparecido Silva
O presidente do Cortejo Afro, Alberto Pitta, fez coro ao desabafo do cantor Russo Passapusso, vocalista da BaianaSystem, a respeito da desvalorização da cultura baiana e do enfraquecimento dos blocos afro no carnaval de Salvador.
O dirigente também enfatizou que Carlinhos Brown tem razão ao deixar o carnaval soteropolitano alegando falta de valorização do seu legado. "De fato, se você parar para pensar, acho que as pessoas precisam refletir sobre estas questões. Quando fala no carnaval sem cordas, é estranho, eu não sei o que é bloco sem corda. Bloco sem corda para mim é o Eva, o Cheiro, o Crocodilo arriarem as cordas nos dias que saem. Fora isso, é o governo subvencionando quem ele nem mesmo conhece. Isso é um erro tácito", considera Pitta.
"Acho que se convidasse o Cortejo Afro para sair sem cordas e me pagasse 600 mil reais, eu sairia sem cordas. Até porque o Cortejo Afro, o Gandhy, o Ilê Aiyê, de fato não precisam das cordas. Os cordeiros nos blocos afro estão ali apenas para manter a corda em pé e aberta e garantir o desfile estético. Não é segurança de nada, nem de ningúem", explica.
Alberto Pitta alfineta ainda outros blocos que desfilam no carnaval soteropolitano com cordas: "Quem precisa de segurança é a classe branca, que sem os cordeiros que vêm dos bairros populares da cidade, eles não saem. Quero ver qual bloco da classe média que vai para a rua sem a segurança destes maltratados, maltrapilhos cordeiros", desafiou.