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Paolinelli, ex-ministro da Agricultura, será indicado para o Prêmio Nobel da Paz

Paolinelli, além dos muitos anos dedicados ao campo, teve importante participação na política agrícola brasileira  |  Reprodução/Youtube

Publicado em 29/12/2020, às 15h10   Reprodução/Youtube   Folhapress

O Brasil terá um indicado para o Prêmio Nobel da Paz de 2021: Alysson Paolinelli. Com 84 anos, é, desde quando se graduou em engenharia agronômica, em 1959, um entusiasta pelas tecnologias e inovações no campo, passos importantes para o aumento de produtividade e para maior oferta de alimentos.

Paolinelli, além dos muitos anos dedicados ao campo, teve importante participação na política agrícola brasileira.

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Professor, secretário de Agricultura de Minas Gerais por três vezes, ministro da Agricultura nos anos de 1970 e deputado federal no período da Constituinte, abriu caminho para a saída do Brasil de uma dependência alimentar para a posição de um dos principais exportadores mundiais de alimentos.

Imbatível nas exportações de café há décadas, o país acrescentou também nessa lista de liderança mundial soja, açúcar, suco de laranja, carne bovina, carne de frango e, em alguns anos, como ocorreu em 2019, chegou a liderar as exportações mundiais de milho.

Na maioria desses produtos, quatro décadas atrás o país ainda era dependente de importações para completar o abastecimento interno. O salto para a autossuficiência começa nos anos de 1970, com o desenvolvimento de programas específicos para o aproveitamento dos cerrados.

Essa revolução agrícola veio com base na ciência, na tecnologia e na inovação, afirmou Paolinelli, em entrevista recente à Folha. Ele criou 26 representações da Embrapa em sua passagem pelo Ministério da Agricultura nas diversas regiões do país.

Agora, com pesquisas objetivas, é preciso definir os limites do uso dos biomas, sem degradar os recursos naturais. Além disso, utilizar as formas de manejo que mantenham esses recursos preservados, afirmou o ex-ministro.

Embaixador da Boa Vontade do IICA (Instituto Interamericano de Cooperação para a Agricultura) e presidente do Instituto Fórum do Futuro, Paolinelli movimenta organizações de ciências para a realização do Projeto Biomas Tropicais.

Ele acredita que o projeto poderá gerar uma revolução científico-tecnológica a favor das pessoas, em harmonia com o meio ambiente e em benefício da paz mundial.

Um dos precursores da evolução da agricultura tropical no Brasil, afirma que a tecnologia brasileira, se adotada por outros países com solos pobres, incentivaria a agricultura em regiões carentes.

Além disso, seria um meio de fixação da população em suas regiões, dando a ela autonomia alimentar. "É preciso levar conhecimento suficiente para eles serem competitivos", afirmou o ex-ministro.

O papel da agricultura tropical brasileira na evolução da oferta de alimentos no mundo fez Paolinelli ganhar o "The World Food Prize", em 2006, prêmio criado por Norman Bourlang, Prêmio Nobel da Paz de 1970.

Naquele ano, Bourlang disse que o cerrado brasileiro estaria sendo palco da segunda "Revolução Verde" da humanidade. Os pesquisadores desenvolveram técnicas que tornaram uma área improdutiva na maior reserva de alimentos do mundo, afirmou à época.

O Prêmio Nobel estava certo. Hoje a região do cerrado é responsável por 46% da produção brasileira de soja, 49% da de milho, 93% da de algodão, e 25% da de café. Ainda, segundo o IBGE, a região é responsável por 32% do rebanho brasileiro de bovinos e detém 22% das produções de frango e de suínos do país.

O avanço da agricultura nas últimas décadas trouxe um alívio para o bolso dos consumidores brasileiros. Segundo o Índice de Preços ao Consumidor da Fipe (Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas), 44% dos gastos mensais dos paulistanos eram com alimentos na década de 1970. Com oferta maior e variedade de produtos, esse custo caiu para 24,5% atualmente. Ou seja, de cada R$ 100 gastos, R$ 24,5 são com alimentos.

Enquanto na década de 1970, o Brasil tinha um déficit comercial na balança de alimentos. Nos anos recentes, sempre fecha o período com saldos próximos de US$ 90 bilhões.

Paolinelli está sendo indicado ao Nobel da Paz não só pela dedicação à agricultura tropical e à consequente segurança alimentar gerada por ela, mas também pela sustentabilidade que essas novas tecnologias trouxeram à produção, segundo os signatários da indicação do ex-ministro ao prêmio.

O ganho de produtividade gerou um efeito "poupa-terra" e uma preservação de biomas. Sem esse avanço da tecnologia e da produtividade, para atingir a produção de 231 milhões de toneladas de grãos, obtida em 2018, o país teria de usar 128 milhões a mais de área cultivável do que utiliza, segundo eles.

O ex-ministro está sendo indicado ao prêmio pela iniciativa de 20 entidades brasileiras, que receberam o apoio de uma centena de organizações, universidades e profissionais de pelo menos 20 países.

Aos 84 anos, olhando para trás, o ex-ministro ainda não está satisfeito com os avanços. Para ele, a agricultura tropical trouxe vantagens comparativas para o país, mas se faz necessário um avanço para a bioeconomia.

Inteligência e estratégias adequadas farão o sistema biológico melhorar em muito a capacidade de competição do país em alimentação e em energias renováveis, afirmou à Folha.

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