Cidades

Família denuncia morte de paciente em clínica de reabilitação na Bahia

A família acusa a clínica de reabilitação de afogar e agredir o paciente  |  Reprodução Redes Sociais

Publicado em 13/04/2026, às 22h23 - Atualizado em 14/04/2026, às 10h20   Reprodução Redes Sociais   Mariana Cedrim

A família de um paciente internado em uma clínica de reabilitação denunciou, nesta segunda-feira (13), a morte do rapaz enquanto ele ainda estava sob os cuidados da unidade. A instituição, Caminha Comunidade Terapêutica, fica em Simões Filho, na Região Metropolitana de Salvador.

Em entrevista ao BNews, Luciana Guimarães, irmã da vítima, Luiz Vicente Guimarães, contou que Luiz era usuário de drogas e havia sido internado para tratar o vício. Segundo ela, o paciente chegou a pedir para voltar para casa, alegando maus-tratos. Ansioso, acabou não esperando a família e tentou fugir do local.

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“Na tentativa de fuga, ele foi capturado pelos seguranças da clínica, que, pelo que soube, são internos que já estão lá há mais tempo e passam a fazer a vigilância. São pessoas com porte físico forte. Pegaram meu irmão e tentaram afogar ele, acho que no mangue”, relatou.

A empresária disse ainda que a clínica informou que Luiz teria se afogado e que chegou a ser socorrido com vida para um hospital da região. A família, no entanto, contesta essa versão.

“Meu irmão era um exímio nadador. Apesar de ser usuário de drogas, ele era esportista. Então, para a gente, ele foi brutalmente espancado. A médica disse que ele já chegou sem pulso, sem respiração”, afirmou.

Luciana também relatou que a família registrou um boletim de ocorrência contra a clínica e, posteriormente, complementou as informações após ser procurada por testemunhas de dentro da unidade. Segundo ela, essas pessoas afirmaram que Luiz foi agredido e levado de volta à clínica sujo de lama, em um carro de mão.

“Eles entraram em contato porque meu irmão tinha dado o telefone. Viram as agressões e também sofreram violência ao tentar defendê-lo. Outros pacientes chegaram a fazer um quebra-quebra dentro da clínica”, disse.

A despedida de Luiz Vicente está marcada para esta terça-feira (14), às 12h30, no Cemitério Campo Santo, na capital baiana. O sepultamento deve ocorrer às 16h30.

O QUE DIZ A CLÍNICA
Procurada, a clínica Caminhar Comunidade Terapêutica apresentou uma versão diferente da relatada pela família. Em nota, a instituição afirmou que Luiz Vicente estava internado havia menos de 30 dias e atravessava o período considerado mais delicado da desintoxicação, com acompanhamento médico e terapêutico.

Ainda conforme a unidade, no domingo (12), o paciente teria sido atingido por uma crise severa de abstinência e, em meio a um “ímpeto incontrolável”, conseguiu sair da clínica ao pular o muro, correndo em direção a uma área de manguezal próxima.

A clínica sustenta que houve mobilização imediata para localizá-lo e que, ao ser trazido de volta, Luiz já apresentava sinais de desgaste físico intenso. A equipe, ainda de acordo com o relato, prestou os primeiros atendimentos e fez a transferência em caráter de urgência para um hospital da região.

A morte, diz a instituição, ocorreu já na unidade hospitalar, apesar — como pontua a nota — da “rápida resposta” da equipe e dos esforços médicos.

A direção também informou que os responsáveis já prestaram esclarecimentos à polícia e que a clínica segue à disposição das autoridades. No posicionamento, a morte é tratada como uma fatalidade ligada à imprevisibilidade de quadros agudos de abstinência.

Leia a nota na íntegra:

"Clínica Caminhar Comunidade Terapêutica, A Clínica Caminhar, instituição dedicada à reabilitação e tratamento de dependência química, vem a público, por meio de sua assessoria jurídica, prestar os devidos esclarecimentos acerca do lamentável falecimento do paciente Luíz Vicente Guimarães, ocorrido no último domingo, 12 de abril de 2026.

Inicialmente, a direção da Clínica e todos os seus colaboradores expressam o mais profundo pesar e solidariedade à família e aos amigos do paciente neste momento de imensa dor. Com o compromisso inegociável com a transparência e a verdade dos fatos, esclarecemos que:

Do Internamento e Quadro Clínico: O paciente Luiz encontrava-se em tratamento em nossa unidade há menos de 30 dias, motivado por dependência química. Durante este período inicial, que é clinicamente reconhecido como a fase mais crítica da desintoxicação, o paciente vinha recebendo todo o suporte médico, psicológico e terapêutico adequado ao seu quadro.

Da Dinâmica dos Fatos: No domingo (12/04/2026), o paciente foi acometido por uma severa crise de abstinência. Em um ímpeto incontrolável decorrente de seu estado clínico, o mesmo conseguiu evadir-se das dependências da clínica, pulando o muro da instituição e correndo em direção a uma área de manguezal nas proximidades.

Do Resgate e Socorro Imediato: Imediatamente após a evasão, houve uma mobilização para o seu resgate. Ao retornar às dependências da clínica, o paciente apresentava sinais de extremo desgaste físico. A equipe de plantão e a direção da clínica agiram de pronto, prestando os primeiros socorros e realizando a transferência imediata e em caráter de urgência para a unidade hospitalar de referência mais próxima.

Do Óbito: Infelizmente, apesar da rápida resposta da nossa equipe e de todo o esforço do corpo médico do hospital que o recebeu, o paciente não resistiu e veio a óbito nas dependências daquela unidade de saúde. Da Colaboração com as Autoridades: Ressaltamos que a direção e os sócios da Clínica já compareceram espontaneamente perante a autoridade policial competente, prestando todos os esclarecimentos necessários e colocando-se à inteira disposição para colaborar com as investigações e elucidação completa dos fatos.

A Clínica Caminhar reitera que atua em estrita observância às normas legais e demais órgãos reguladores, mantendo protocolos rigorosos de segurança e cuidado com seus pacientes. O ocorrido trata-se de uma fatalidade decorrente da imprevisibilidade inerente aos quadros agudos de abstinência severa.

Por fim, em respeito à privacidade da família enlutada e ao sigilo médico, a instituição limitará suas manifestações aos órgãos oficiais de investigação, confiando na apuração técnica e isenta por parte das autoridades competentes. Salvador/BA, 14 de abril de 2026.

CAMINHAR COMUNIDADE TERAPÊUTICA"

Classificação Indicativa: Livre


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