Cidades

MPF abre inquérito para investigar Acelen por compra de terras em área reivindicada por quilombolas na Bahia

Área foi adquirida pela Acelen Renováveis para produção de combustível renovável, mas levantou suspeita por parte do MPF  |  Divulgação/Acelen

Publicado em 23/01/2026, às 08h30   Divulgação/Acelen   Matheus Simoni

O Ministério Público Federal (MPF) instaurou um inquérito civil público para apurar a aquisição de uma área localizada dentro de território reivindicado por comunidades quilombolas no município de Cachoeira, no Recôncavo baiano. A investigação envolve a empresa Acelen Renováveis, braço de energia renovável da Acelen, empresa criada pelo fundo Mubadala Capital que atua na refinação de petróleo com a Refinaria de Mataripe. A aquisição aconteceu com a finalidade de plantio de macaúba para produção de combustíveis renováveis.

Clique aqui e se inscreva no canal do BNews no Youtube

Siga o BNews no Google e receba as principais notícias no seu celular

A medida foi publicada nesta sexta-feira (23) e assinada pelo procurador da República Marcos André Carneiro Silva, do Ministério Público Federal na Bahia.

Segundo o MPF, a investigação começou após denúncia de que a área adquirida pela empresa estaria inserida no território tradicionalmente reivindicado pelas comunidades quilombolas de Mutecho e Acutinga. Os procuradores querem entender se a negociação respeitou os direitos territoriais das comunidades tradicionais, garantidos pela Constituição Federal e pela legislação infraconstitucional.

Diante da necessidade de novas diligências e da apuração mais aprofundada dos fatos, o MPF decidiu converter o procedimento em inquérito civil, instrumento que permite a coleta de documentos, oitivas e análises técnicas antes de eventual ajuizamento de ação civil pública. O inquérito ficará vinculado à 6ª Câmara de Coordenação e Revisão (6ª CCR) do MPF, responsável por casos relacionados a direitos de comunidades tradicionais e patrimônio social.

Ainda de acordo com a portaria, o inquérito civil terá prazo inicial de tramitação de um ano, podendo ser prorrogado conforme previsto nas normas internas do Ministério Público Federal. A instauração do procedimento também será comunicada formalmente à Câmara de Coordenação e publicada nos meios oficiais.

O BNews questionou a Acelen sobre a questão e pediu um posicionamento a respeito da abertura do inquérito. Em nota enviada à reportagem após a publicação da matéria, a empresa disse que não foi formalmente notificada sobre o procedimento, mas está à disposição do MPF para prestar todos os esclarecimentos necessários. "A empresa ressalta que o processo para aquisição de áreas ocorre de forma diligente, com prévia realização de auditoria, e respeita a legislação", diz a Acelen.

"O projeto da Acelen Renováveis tem como objetivo promover o desenvolvimento regional, com geração de oportunidades para as comunidades locais. A iniciativa integra a decisão estratégica da empresa de iniciar, na Bahia, sua jornada na transição energética no Brasil. A sua atuação considera e respeita as características e tradições quilombolas regionais, assim como o uso adequado da terra, baseado nos melhores princípios e regras ambientais", acrescentou.

Classificação Indicativa: Livre


TagsBahiaRMSMPFinvestigaçãocidadescachoeiracombustíveisfederalquilombolasProcuradoriaacelen

Leia também


PF nas ruas: Nova operação contra o Banco Master mira fundo que paga pensão a aposentados e pensionistas


Polícia Federal instaura inquérito e inicia investigações em obra no aeroporto de Ilhéus por suspeita de crime ambiental