Cidades
Publicado em 04/08/2026, às 08h13 Reprodução Lucas Pacheco
Um paciente do Hospital da Obesidade, em Camaçari, na Região Metropolitana de Salvador, denunciou ter tido seu tratamento interrompido sob a alegação de suposta falta de pagamentos mensais. O que causou estranheza em Demetrio Reis Barreto Neto foi o fato de que ele nunca precisou pagar qualquer valor diretamente à unidade médica, pois possui plano de saúde e todo tratamento estava sendo coberto.
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Em entrevista exclusiva ao BNews, Demetrio afirmou ter sido surpreendido pela suspensão de sua manutenção terapêutica após o hospital informar a existência de pagamentos em atraso por parte da SulAmérica. Segundo ele, seu plano de saúde está ativo e com as mensalidades quitadas.
Fui surpreendido com minha manutenção suspensa por falta de pagamento. Me pegou de surpresa, né, não esperava e, assim, o plano está ativo, tenho pagado as mensalidades, que não são baratas, e minha manutenção está suspensa, sem explicação, sem nenhum motivo. Tô aqui sem saber, né, ao que recorrer, o que fazer, na verdade”, relatou.
Em uma notificação datada de 28 de julho de 2026 e enviada ao paciente, o Hospital da Obesidade informa que seu setor financeiro verificou a existência de pendências financeiras junto à SulAmérica referentes à cobertura assistencial do tratamento.
Ainda de acordo com o documento, três notas fiscais (58557, 58797 e 59071) estariam sem pagamento, o que motivou a suspensão do atendimento.
Demetrio Neto alegou que já entrou em contato com o plano, mas a ele foi pedido o prazo de seis dis úteis para a realização de averiguação interna do ocorrido.
Eu recebi esse comunicado e liguei para o plano de saúde e falei o que tinha acontecido e eles me pediram seis dias úteis para me dar resposta, né. Eu peguei o protocolo e estou no aguardo, estou no aguardo para ver o que eles vão dizer", disse.
Tratamento
Ao BNews, Demétrio também destacou que iniciou o tratamento contra a obesidade há dez anos, o que inclui um acompanhamento periódico com equipe multidisciplinar. De acordo com ele, a manutenção é realizada mensalmente e envolve quatro dias de atendimentos com profissionais de diferentes áreas.
Eu pesava 190 quilos e convivia com problemas como diabetes, pressão alta, esteatose hepática e episódios de parada respiratória durante o sono. Graças a Deus, faço tratamento na clínica há dez anos e consegui emagrecer 100 quilos. Eu tinha esteatose hepática, diabetes, pressão alta, tinha todas as comorbidades de uma pessoa com obesidade”, contou.
O paciente afirmou que a interrupção do acompanhamento representa uma preocupação especialmente grave diante do histórico clínico e dos resultados alcançados ao longo do tratamento.
Eu preciso desse tratamento. A gente que está lá precisa desse tratamento para poder ter uma vida melhor”, declarou.
Ele também desabafou sobre os medos e inseguranças devido à suspensão da cobertura.
A gente que tem uma doença, isso já gera gatilho, né, porque a gente tem uma doença, e de ontem para hoje, velho, a ansiedade lá em cima, preocupado com a
situação"
Demetrio Reis Barreto Neto agora aguarda uma resposta formal da SulAmérica e afirma que pretende buscar os meios necessários para garantir a continuidade do tratamento.
Procurada pelo BNews, a SulAmérica afirmou que o plano do beneficiário está ativo e regular e que não houve qualquer negativa de autorização nem suspensão do tratamento por parte da operadora.
O plano de saúde apontou ainda que o Hospital da Obesidade nunca integrou a sua rede credenciada e que o atendimento a Demetrio vem sendo realizado em cumprimento integral às decisões judiciais.
Na nota enviada, a empresa destacou que a única pendência existente depende do envio de documentação complementar e das respectivas notas fiscais pela clínica e que assim que a documentação necessária for apresentada, o processo seguirá seu fluxo regular.
Por sua vez, o Hospital da Obesidade, também procurado pelo BNews, esclareceu que jamais interrompeu tratamentos por mera liberalidade ou por qualquer desinteresse em assistir seus pacientes e que, neste caso, presta atendimento somente mediante autorizações expressas emitidas pela própria operadora, ainda que os pacientes possuam decisões judiciais em face do plano de saúde.
A unidade de saúde afirmou ainda que não integra essas ações judiciais, não tem controle ou conhecimento delas, tampouco mantém contrato de credenciamento com a SulAmérica e que foi a própria operadora quem procurou o hospital para o atendimento aos seus beneficiários.
Ainda na nota enviada, o Hospital da Obesidade destacou que as cobranças atualmente em aberto decorrem de serviços efetivamente autorizados, já prestados e faturados, conforme o mesmo fluxo documental adotado pelo hospital há mais de dez anos, inclusive em relação à própria SulAmérica, sem que esse procedimento jamais tivesse impedido o processamento e pagamento das contas anteriormente apresentadas.
Em relação ao não envio da documentação alegada pela SulAmérica, o estabelecimento de saúde apontou que somente após o acúmulo de significativa inadimplência, atualmente ultrapassando o montante de R$ 3,2 mi reais, e diversas tentativas de cobrança, o plano de saúde passou a exigir novos documentos e procedimentos que nunca haviam sido previamente pactuados com o hospital, utilizando essas novas exigências como justificativa para a retenção de pagamentos referentes a atendimentos já autorizados e prestados.
Veja as notas na íntegra:
SulAmérica
"A SulAmérica esclarece que o plano do beneficiário está ativo e regular e que não houve qualquer negativa de autorização nem suspensão do tratamento por parte da operadora. A Clínica da Obesidade nunca integrou a rede credenciada da SulAmérica, e o atendimento vem sendo realizado em cumprimento integral às decisões judiciais. A única pendência existente depende do envio de documentação complementar e das respectivas notas fiscais pela clínica, já informada. Assim que a documentação necessária for apresentada, o processo seguirá seu fluxo regular. A SulAmérica reforça seu compromisso com a continuidade e a qualidade da assistência oferecida aos seus beneficiários."
Hospital da Obesidade
"O Hospital da Obesidade esclarece que jamais interrompeu tratamentos por mera liberalidade ou por qualquer desinteresse em assistir seus pacientes. Ao longo de sua história, sempre buscou assegurar a continuidade da assistência, inclusive suportando por longos períodos custos decorrentes da inadimplência de operadoras de saúde.
No caso específico da SulAmérica, é importante esclarecer que o Hospital presta atendimento somente mediante autorizações expressas emitidas pela própria operadora, ainda que os pacientes possuam decisões judiciais em face do plano de saúde. O Hospital não integra essas ações judiciais, não tem controle ou conhecimento delas, tampouco mantém contrato de credenciamento com a operadora, visto que foi a própria SulAmérica quem procurou o Hospital para o atendimento aos seus beneficiários.
As cobranças atualmente em aberto decorrem de serviços efetivamente autorizados, já prestados e faturados, conforme o mesmo fluxo documental adotado pelo Hospital há mais de dez anos, inclusive em relação à própria SulAmérica, sem que esse procedimento jamais tivesse impedido o processamento e pagamento das contas anteriormente apresentadas. Somente após o acúmulo de significativa inadimplência (atualmente ultrapassando o montante de 3 milhões e 200 mil reais) e diversas tentativas de cobrança, a operadora passou a exigir novos documentos e procedimentos que nunca haviam sido previamente pactuados com o Hospital, utilizando essas novas exigências como justificativa para a retenção de pagamentos referentes a atendimentos já autorizados e prestados.
Ainda assim, em demonstração de absoluta boa-fé e espírito colaborativo, o Hospital respondeu formalmente à operadora e implementou integralmente todos os ajustes solicitados pela SulAmérica. Cumpre destacar que, apesar de eventuais alegações da operadora, a SulAmérica jamais compareceu ao Hospital da Obesidade para realizar qualquer auditoria interna.
O Hospital permanece integralmente aberto ao diálogo para a construção de fluxos operacionais que se adequem à rotina da seguradora, ainda que não haja contrato de credenciamento formal entre as partes. O que não se mostra razoável é que alterações unilaterais de procedimentos administrativos sejam utilizadas para justificar o não pagamento de valores expressivos devidos por serviços já regularmente prestados.
O Hospital reafirma seu compromisso com a transparência, com a qualidade da assistência e, sobretudo, com seus pacientes, esperando que a situação seja solucionada com a maior brevidade possível, mediante a regularização dos pagamentos pendentes e o restabelecimento de um fluxo operacional compatível com a continuidade segura da assistência."
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