Cidades
Publicado em 14/10/2026, às 15h26 - Atualizado às 16h56 Foram feitas duas reuniões e um abaixo-assinado para sanar a questão - Divulgação Elisa Martins
Familiares se juntaram para denunciar a escola municipal Elysio Athayd, localizada no bairro Cajazeiras V, em Salvador, por suposta presença de pó de sílica na estrutura. Segundo o grupo, a situação estaria causando doenças, como pneumonia, nos alunos.
O grupo chegou a criar um abaixo-assinado, com mais de 130 assinaturas até o momento, no qual se queixam não somente pelas questões estruturais, como também por suposta omissão por parte do colégio em relação a recorrentes casos de violência e implementação de medidas que restringem a presença dos pais no colégio.
De acordo com os representantes do grupo, em entrevista ao Bnews, a principal queixa está relacionada ao piso da escola, que estaria soltando um pó que contém sílica, um composto químico perigoso à saúde, por não estar vedado corretamente. Ela teria sido a causa de diversos problemas nos alunos, como coceiras nos olhos, exáquecas e até doenças respiratórias, e que estaria espalhado desde 2023, quando a instituição foi aberta.
Fabiana Camilo, mãe de dois alunos, um de seis e uma de oito ano, relatou que a menina foi diagnósticada recentemente com pneumonia e precisou ficar afastada dos estudos por 15 dias. "O pó na escola está fazendo as crianças passarem mal, dor de cabeça e com os olhos ardendo".
A mesma situação aconteceu com o pai Armando Damasceno e seus filhos. Segundo ele, o menino de 13 anos estava se queixando de dores de cabeça há alguns dias e, ao ser levado para um hospital, também foi diagnosticado com pneumonia. Já a sua filha, de nove anos, está com dificuldades para enxergar. "Nós, pais e mães que tem amor aos filhos, buscamos um socorro urgentemente", declara.
A tentativa de tomar providências teria começado no dia 29 de setembro, quando um professor convocou familiares dos estudantes para discutir sobre como o pó estaria afetando não apenas os alunos, como também os professores e funcionários. Outra reunião foi feita nesta quarta-feira (14), mas desta vez com o vice-diretor da escola.
Conforme o relato dos pais que compareceram, a direção afirmou já ter entrado contato com a Secretaria de Educação. Os professores também tentaram solicitar que as aulas fossem suspendidas de 15 a 20 dias para que as providências fossem tomadas, mas o pedido não foi aceito.
Além dos problemas de saúde, os pais também questionam o posicionamento da direção da escola em relação a casos de violência entre as crianças e adolescentes. Segundo Flávia Maria Souza, o seu filho levou 3 tapas no rosto por colegas, em diferentes momentos, e a escola não teria a comunicado sobre os ocorridos. "Há diversas situações parecidas com essa acontecendo", lamenta.
Procurada, a Secretaria Municipal da Educação (Smed) informou que a Diretoria de Infraestrutura (DIRE) já realizou uma vistoria técnica. Nela foi observado que a camada superficial do piso apresenta sinais de desgaste acelerado, possivelmente como consequência de procedimentos de limpeza diferentes do que teria sido recomendado na inauguração da escola.
A secretaria afirma que a instituição foi entregue à população no devido estado e polido. Para solucionar a questão, há previsão para aplicação de uma nova camada seladora e redução do desprendimento do pó. A expectativa é que os procediemntos sejam concluídos até a primeira quinzena de novembro.
Quanto ao reparo nas portas dos banheiros e outros serviços de manutenção, as demandas estão sendo levantadas.
A direção da escola ainda não se pronunciou sobre os casos de violência.
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