Cidades
Publicado em 11/09/2026, às 05h30 Unsplash / Ilustrativa Redação Bnews
Quase 2 mil pessoas aguardam atualmente por um transplante de córnea na Bahia, enquanto o tempo médio de espera no Brasil chega a 370 dias. São 1.983 pacientes na fila baiana, segundo dados divulgados pelo Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO) durante o 70º Congresso Brasileiro de Oftalmologia. O número faz parte de um cenário nacional de aumento da demanda, mesmo com o país tendo registrado número recorde de cirurgias em 2025.
Em todo o país, 37.719 pessoas aguardam um transplante de córnea. Em dezembro de 2025, eram 32.639 pacientes, o que representa aumento de 24% em seis meses. O crescimento ocorre apesar do recorde de procedimentos. Em 2025, foram realizados 17.790 transplantes de córnea, o maior número já registrado no país.
Segundo o CBO, o Brasil opera próximo da autossuficiência teórica para o fluxo anual de transplantes. Ainda assim, a lista de espera ativa continua crescendo devido ao ritmo de novas indicações médicas e ao passivo acumulado ao longo dos anos.
A espera média também aumentou de forma significativa. De acordo com comparação do Sistema Nacional de Transplantes (SNT) entre 2015 e 2024, o tempo passou de 174 para 370 dias.
A pandemia de covid-19 teve impacto direto na quantidade de procedimentos realizados. Em 2019, foram 14.942 transplantes de córnea no país. Em 2020, o número caiu para 7.349, menos da metade.
A recuperação ocorreu de forma gradual: foram 12.869 transplantes em 2021, 14.082 em 2022, 16.028 em 2023, 17.108 em 2024 e, finalmente, 17.790 em 2025.
O CBO aponta que a fila também é influenciada pela falta de reajustes nos valores pagos pelos procedimentos, pelos custos dos bancos de olhos diante de insumos cotados em dólar e pelo aumento das exigências nas etapas de produção e processamento da córnea.
Na Bahia, a estrutura envolve o Banco de Olhos da Bahia, entidade pública sem fins lucrativos, além de centros transplantadores em Salvador e Vitória da Conquista.
A diferença entre os estados mostra o impacto da capacidade de captação e realização dos transplantes.
O Ceará realizou 1.371 transplantes em 2025 e recebeu 1.639 novos pacientes na fila. Mesmo assim, terminou dezembro com apenas 93 pessoas ativas aguardando o procedimento.
O Mato Grosso também registrou uma fila reduzida, com 37 pacientes. No Rio de Janeiro, foram realizados 653 transplantes em 2025, enquanto 1.720 pessoas ingressaram na fila. O estado encerrou o ano com 4.760 pacientes ativos.
São Paulo concentra a maior fila absoluta, com 7.505 pessoas, seguido por Minas Gerais, com 4.532. Segundo a análise do CBO, os dois estados apresentam uma relação mais equilibrada entre o tamanho da fila e o número de transplantes.
Amapá e Roraima não realizaram nenhum transplante de córnea em 2025.
As mulheres representam 56% dos candidatos a um transplante de córnea no país. Pessoas com 65 anos ou mais correspondem a 47% da fila, quase metade do total. O CBO relaciona esse perfil ao envelhecimento da população e ao aumento das doenças degenerativas da córnea.
A fila entre crianças e adolescentes também cresceu. Atualmente, 753 pacientes infantojuvenis aguardam um transplante, contra 616 em dezembro de 2025.
Medidas recentes do Ministério da Saúde alteraram valores relacionados ao transplante de córnea.
A Portaria 6.924, publicada em maio de 2025, aumentou o valor do líquido de preservação para transplante de córnea de R$ 148 para R$ 500. A sorologia de doador passou de R$ 60 para R$ 186.
O CBO, porém, aponta que outros itens da tabela continuam defasados.
Em setembro de 2025, a Portaria GM/MS nº 8.041/2025 instituiu a nova Política Nacional de Doação e Transplantes, com regras específicas para tecidos oculares.
Em novembro do mesmo ano, foi criado o PRODOT, programa nacional de qualidade com incentivo financeiro para doação e transplante. Os efeitos das medidas sobre a oferta de córneas e a fila de espera ainda serão acompanhados pelos dados dos próximos períodos.