Cidades
Publicado em 17/08/2025, às 12h41 Divulgação Tiago Di Araújo
Muitos moradores de cidades do interior pelo Brasil afora não pensam na possibilidade em morar nas chamadas "cidades grandes". Um dos fatores que mais são levados em consideração é a qualidade de vida mesmo diante de dificuldades como a questão financeira e mercado de trabalho restrito.
No entanto, esse não é o caso de Gavião Peixoto, no interior paulista. Com menos de 5 mil habitantes, o município fica na região de Araraquara e tem uma média salarial de 5,2 salários mínimos. Conforme informações do Censo 2022, os números são duas vezes maiores que a média nacional e supera até a capital São Paulo.
Com setor agrícola como atividade mais expressiva, Gavião Peixoto abriga também uma sede da Embraer, que foi instalada em 2001 e atualmente conta com mais de 2,8 mil funcionários, ou seja, mais que a metade da população.
Inclusive, a cidade já foi escolhida para receber uma segunda unidade da Embraer e, segundo a própria empresa, possui maior pista de pouso da América —a quarta maior do mundo.
Além da gigante do setor de aviação, a produção de laranja representa 53% das atividades econômicas da região, seguida pela cana-de-açúcar, que soma 38%. O ramo é dominado por grandes empresas, nacionalmente conhecidas, como é o caso da Fischer e Cutrale.
Média salarial se destaca
Gavião Peixoto apresenta uma renda média superior à da capital paulista, ao do estado de São Paulo e à média nacional. Enquanto a remuneração média por trabalhador na cidade de São Paulo é de 4,4 salários mínimos, no estado o valor cai para 3,4 salários. No âmbito nacional, o rendimento médio é ainda menor, chegando a 2,3 salários mínimos.
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Como surgiu a cidade de Gavião Peixoto?
A cidade de Gavião Peixoto tem suas raízes estabelecidas há mais de um século, tendo sido oficialmente criada em 1907 como parte de uma iniciativa governamental para incentivar a ocupação do interior paulista. O nome do município é uma homenagem ao antigo dono das terras onde se formou a cidade.
O crescimento da região foi impulsionado pela chegada da Estrada de Ferro Douradense, que facilitou o acesso e o transporte de pessoas e mercadorias. No ano seguinte à fundação, em 1908, foi construída uma usina hidrelétrica, que permanece em operação até os dias atuais, mantendo sua estrutura original. No entanto, em 1969, com o encerramento das atividades da ferrovia e o colapso da cultura do algodão, o município enfrentou um período de retração econômica, que perdurou até o início dos anos 2000, quando Gavião Peixoto passou a abrigar atividades relacionadas ao setor aéreo.
Além disso, a região recebeu imigrantes que fugiam dos conflitos da Revolução Russa. Porém, um surto de febre amarela causou grandes perdas à população local, impactando severamente a colônia estabelecida.