Coronavírus

Bolsonaro tentou alterar bula da cloroquina, diz Mandetta

Ex-ministro afirmou não concordar após descobrir intenção do governo federal  |  Marcello Casal Jr/Agência Brasil

Publicado em 21/05/2020, às 09h52   Marcello Casal Jr/Agência Brasil   Redação Bnews

O ex-ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta afirmou que o governo federal tinha a intenção de alterar a bula da cloroquina, para incluir no documento sua recomendação para o tratamento dos pacientes infectados pelo novo coronavírus.

Em entrevista à GloboNews, na quarta-feira (20), Mandetta disse que o protocolo recomendando a droga é "distante do razoável" e contou que a tentativa de alterar a bula aconteceria via um decreto que seria assinado pelo próprio presidente Jair Bolsonaro (sem partido).

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"Eu me lembro de quando, no final de um dia de reunião de conselho ministerial, me pediram para entrar numa sala e estavam lá um médico anestesista e uma médica imunologista, que estavam com a redação de um provável ou futuro, ou alguma coisa do gênero, decreto presidencial. A ideia que eles tinham era de alterar a bula do medicamento na Anvisa, colocando na bula indicação para covid-19", afirmou Mandetta.

O ex-ministro afirmou ainda que, assim como ele, o presidente da Anvisa, Antonio Barra Torres, que também estava presente no encontro, não concordou após se assustar com a manobra do governo. "Eu simplesmente disse que aquilo não era uma coisa séria e que eu não iria continuar com aquilo, que o palco daquela discussão tem que ser o Conselho Federal de Medicina", completou.

Depois da saída de Nelson Teich, que assumiu a pasta após a demissão de Mandetta, o protocolo do medicamento alterou o uso da substância que, agora, já pode ser usada no tratamento de pacientes que estão na fase inicial da doença, embora especialistas apontem o efeito colateral do remédio.

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