Justiça

PGR pede paralisação das obras do edifício La Vue na Barra

Publicado em 13/11/2016, às 12h55   Reprodução   Adelia Felix

A Procuradoria Geral da República na Bahia indicou a paralisação da construção do edifício La Vue, na Ladeira da Barra, em Salvador, nesta sexta-feira (12). A indicação foi feita pelo procurador Pablo Barreto. Em dezembro de 2015, a obra do residencial de luxo com 30 andares motivou uma ação civil pública que pedia a suspensão da construção. De autoria do Instituto dos Arquitetos do Brasil - Departamento Bahia (IAB-BA), a ação apontou a falta de adequado estudo prévio de impacto de vizinhança para a obra, que tem vista para o Porto da Barra, Baía de Todos-os-Santos, em uma região com patrimônios tombados e com monumentos históricos.
Em entrevista ao Bocão News, a arquiteta Solange Araújo, presidente do Instituto dos Arquitetos do Brasil Seção Bahia (IAB-BA), comemorou a decisão. “De repente, a partir da liberação dessa construção, muitas construções iriam surgir no mesmo gabarito e toda aquela paisagem da Barra seria mudada, perdendo todos os valores paisagísticos. Essa construção precisa se adequar aos padrões urbanísticos que marcam a identidade daquela área. E agora esperando que o juiz federal ele se posicione definitivamente em relação a isso”, afirma.
Na oportunidade, a presidente do IAB criticou ainda o parecer liberado pelo Iphan-BA, que fundamentou toda a autorização para a construção do prédio. “O Iphan alterou a poligonal que existia. Foi traçada uma nova deixando fora o lote dessa identificação. E quando deixa de fora ela passa a ser regida por outra legislação, a qual permitiu tudo que aconteceu. Ela pode ate ser criada aqui, mas tem que ser aprovada em Brasília”, revela.
Solange Araújo esclareceu ainda que órgão não é contra o empreendimento, mas contra a altura do prédio. Ela detalha que no entorno do prédio estão a Colina de Santo Antônio e a Igreja de Santo Antônio da Barra, tombados pelo Iphan. Ela cita ainda o Cemitério dos Ingleses e os Fortes de Santo Antônio e Santa Maria, e ressalta que o prédio vai prejudicar a visibilidade da paisagem e também dos patrimônios tombados.
“Essa construção interfere na paisagem. Além de interferir substancialmente na composição da paisagem que era assegurada tendo como ponto central e ponto de referência, primeiro, os fortes, a igreja e a colina, com altura em torno de 35 a 37 metros. E essas torres teriam mais de 100 metros”, explica. 
Em outras oportunidades, a Porto Ladeira da Barra Empreendimentos SPE Ltda, responsável pela construção, informou que os pareceres e as licenças foram autorizados por órgãos responsáveis, como o Instituto do Patrimônio Histórico Nacional (Iphan), Instituto do Patrimônio Artístico Cultural da Bahia (IPAC) e Secretaria Municipal de Urbanismo (Sucom).
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Matéria originalmente publicada às 11h40 de sábado (12)

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