Justiça

Fundador da Ricardo Eletro deixa Ministério Público após depoimento

Advogado diz que empresário será solto nesta quinta-feira  |  Carlos Eduardo Alvim/TV Globo

Publicado em 09/07/2020, às 15h31   Carlos Eduardo Alvim/TV Globo   Redação BNews

O empresário Ricardo Nunes, fundador da Ricardo Eletro, deixou o Ministério Público (MP) nesta quinta-feira (9), após prestar depoimento sobre as investigações da operação "Direto com o dono". De acordo com o G1, o depoimento durou três horas.

Ainda segundo o site, o advogado Sérgio Leonardo afirmou que Nunes respondeu todas as perguntas que foram feitas e que o empresário deve ser solto ainda nesta quinta.

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Familiares esperaram por Nunes do lado de fora do prédio, mas não falaram com a imprensa, de acordo com o G1. Um dos familiares gritou para o empresário quando ele deixava o MP: "Tamo aqui, irmão"

Operação "Direto com o dono":

A operação é resultado de uma força-tarefa composta pela Receita Estadual, Polícia Civil e Ministério Público de Minas Gerias (MP-MG). O objetivo da operação é combater sonegação fiscal e lavagem de dinheiro.

De acordo com os levantamentos feitos pela força-tarefa, aproximadamente R$ 400 milhões em impostos foram sonegados. A empresa Ricardo Eletro disse que "se coloca à disposição para colaborar integralmente com as investigações".

"O alvo principal teria formalmente se desligado do grupo empresarial em outubro de 2015. Mas, mesmo assim, desde essa data, há indícios veementes que de fato ele continuava na administração do negócio, de modo que todas essas operações de blindagem patrimonial serviam apenas pra ocultar o proveito econômico dos delitos", afirmou o coordenador da Ordem Econômica e Tributária de Contagem, Gustavo Sousa Franco.

Segundo a força-tarefa, a pena do crime tributário pode chegar a 2 anos de reclusão. Já a pena por lavagem de dinheiro varia de 3 a 10 anos de prisão.

"O valor da dívida dessa empresa está girando em torno de R$ 380 milhões com o estado de Minas Gerais. Colegas promotores da Paraíba, do Rio de Janeiro e de Goiás me ligaram hoje, interessados no compartilhamento de informações e provas. Também nesses estados esse grupo empresarial é detentor de dívidas [...] A conduta do principal dono de esvaziar o patrimônio da empresa, que praticamente quebrou, é muito mais grave do que simplesmente o não pagamento do tributo. Até 2018, início de 2019, a empresa mantinha o estado em 'banho-maria', dizendo que tinha interesse de negociar, de reconhecer aquela dívida, mas, ao mesmo tempo, não fazia uma proposta viável. Assinava um termo de parcelamento, pagava uma ou duas parcelas e já se tornava inadimplente de novo", explicou  o promotor de Justiça Fábio Reis de Nazareth.

Veja a nota da Ricardo Eletro na íntegra:

"A Ricardo Eletro informa que Ricardo Nunes e/ou familiares não fazem parte do seu quadro de acionistas e nem mesmo da administração da companhia desde 2019. A Ricardo Eletro pertence a um fundo de investimento em participação, que vem trabalhando para superar as crises financeiras que assolam a companhia desde 2017, sendo inclusive objeto de recuperação extrajudicial devidamente homologada perante a Justiça, em 2019.

Vale ainda esclarecer que a operação realizada hoje (08/07) pelo Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), pela Receita Estadual e pela Polícia Civil, faz parte de processos anteriores a gestão atual da companhia e dizem respeito a supostos atos praticados por Ricardo Nunes e familiares, não tendo ligação com a companhia.

Em relação à dívida com o Estado de MG, a Ricardo Eletro reconhece parcialmente as dívidas e, antes da pandemia, estava em discussão avançada com o Estado para pagamento dos tributos passados, em consonância com as leis estaduais.

A Ricardo Eletro se coloca à disposição para colaborar integralmente com as investigações".

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