Começa na tarde desta quinta-feira (2), às 14h, o julgamento da ação penal 470, mais conhecida como o processo do mensalão, no Supremo Tribunal Federal (STF). O caso é considerado o de maior relevância em seus 183 anos de história. A previsão é de que a análise avance pelo mês de setembro. A amplitude do caso, que colocou no banco dos réus políticos, empresários e servidores, se reflete nos números superlativos do processo: 38 acusados, 50.389 páginas, 234 volumes, 500 apensos (documentos que foram juntados à ação ao longo do tempo) e mais de 600 testemunhas. Os acusados são políticos e pessoas ligadas diretamente ao mundo político e por isso a repercussão nas casas legislativas é muito grande. A repercussão do caso certamente vai tomar páginas dos jornais desta sexta-feira (3). Na Bahia o reflexo também será sentido, assim como em todos os outros estados.
A deputada federal Alice Portugal (PCdoB) afirmou ao Bocão News esperar que o caso não seja transformado em julgamento político: “Crimes relacionados à conduta devem ser tratados como tal, e isso acontece em todas as áreas da relação humana e social”. A comunista continua: “O STF deve ter isenção e constituir a garantia de fazer justiça de acordo com a lei. Não concordo com a tentativa de generalização e de buscar desmoralizar a política”. Questionada sobre o que acha do papel da imprensa na cobertura do fato, Alice foi enfática: “o que eu falei também cabe para alguns setores da imprensa, que tentam generalizar e desmoralização a política”.
Já o deputado Lúcio Vieira Lima, presidente regional do PMDB, afirmou que o momento é histórico: “eu acho que é um momento histórico para o país, onde vai se julgar, como poucas vezes aconteceu, um caso de esquema de corrupção”. Lúcio comemorou o fato de a cobertura do caso acontecer de forma abrangente: “o caso está amplamente aberto ao acompanhamento da população, o que fortalece a democracia”. Questionado sobre uma possível interferência nas eleições municipais, o deputado confirmou e fez um comparativo com o caso Carlinhos Cachoeira: “Como é um esquema que envolve um partido, no caso o PT, logicamente deverá ter reflexos, como o que ocorreu com Carlinhos Cachoeira, que envolveu o senador Demóstenes Torres e deverá trazer reflexos aos candidatos do DEM nessas eleições”. Para finalizar, Lúcio salienta: “isso poderá ser explorado por adversários”.
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