Justiça

André Mendonça afirma que foi ameaçado de represálias sobre condução do Caso Master: “Nata tenho a temer”

André Mendonça é relator do Caso Master e foi responsável por revelar o envolvimento entre Alexandre de Moraes e Vorcaro  |  Alejandro Zambrana/STF

Publicado em 17/09/2026, às 17h42 - Atualizado às 17h47   Alejandro Zambrana/STF   Héber Araújo

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça, emitiu um comunicado, nesta quinta-feira (17), onde afirmou que seguirá seu dever institucional. O magistrado afirmou que sabia, quando assumiu a relatoria do caso, que viriam represálias e tentativas de intimidação, mas alegou que “nada tem a temer”.

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Ainda na manifestação, o magistrado citou o filósofo Arthur Schopenhauer ao afirmar que a violência é usada por aqueles que tentam vencer um debate sem apresentar argumentos.

Quando decidi levar adiante as informações que recebi da Polícia Federal, sabia que viriam represálias. Fui advertido, de forma implícita e explícita, de que viriam ataques à minha pessoa e a pessoas próximas a mim. Conforme ensina Schopenhauer, dentre os estratagemas para se tentar vencer um debate sem ter razão estão os ataques pessoais contra quem se diverge, fazendo-o de forma injusta, ofensiva e insultante”, disse Mendonça.
E completou: “No entanto, nada tenho a temer. Assim, apesar dos ataques e tentativas de intimidação, seguirei cumprindo meu dever com serenidade e responsabilidade”.

A declaração de Mendonça ocorre em meio a crise que se instaurou no STF, devido ao envolvimento do ministro Alexandre de Moraes com o banqueiro Daniel Vorcaro, conforme revelado pelos relatórios da Polícia Federal tornados públicos por Mendonça. O ministro, no entanto, é alvo de um processo por abuso de autoridade na condução do Caso Master.

O julgamento dele estava previsto para ocorrer na próxima semana, no dia 23, mas foi suspenso por determinação do presidente do Supremo Edson Fachin. A suspensão foi motivada devido ao pedido de vista de Flávio Dino sobre o julgamento de Alexandre de Moraes, que determinaria se o STF permitiria que o ministro fosse investigado.

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