Justiça

Após ser alvo da PF em operação sobre bets, Nelson Wilians se afasta do comando de escritório de advocacia

Advogado Nelson Wilians anuncia afastamento após ser alvo da Operação Arena, que investiga lavagem de dinheiro e sonegação  |  Foto: Divulgação

Publicado em 14/08/2026, às 12h10   Foto: Divulgação   Claudia Cardozo

O advogado Nelson Wilians anunciou, nesta sexta-feira (14) o seu afastamento, por prazo indeterminado, da direção do Nelson Wilians Advogados (NWADV). O comunicado foi feito logo após o jurista ser um dos alvos da Operação Arena, deflagrada pela Polícia Federal na última quinta-feira (13), que investiga um esquema bilionário de lavagem de dinheiro, evasão de divisas e sonegação envolvendo casas de apostas esportivas, com foco na Pixbet.

Com a saída do fundador, a administração do NWADV passa imediatamente para as mãos de um Comitê Executivo. Segundo a banca, o colegiado será responsável por conduzir as operações do dia a dia, zelar pela governança e manter o relacionamento com os mais de 15 mil clientes ativos e cerca de 1,5 mil colaboradores espalhados pelo país.

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Colaboração com a Justiça

De acordo com a nota oficial, a iniciativa partiu do próprio advogado. Wilians justificou a decisão afirmando que pretende se dedicar à família e acompanhar de perto as investigações em andamento, mantendo-se à disposição das autoridades.

A decisão foi comunicada pelo próprio Dr. Nelson Wilians, que optou por dedicar-se neste momento ao cuidado de sua família. O afastamento também permitirá que ele acompanhe os desdobramentos da apuração em curso e permaneça à disposição das autoridades para os esclarecimentos que se fizerem necessários. A NWADV reafirma seu compromisso com a legalidade, a transparência e a plena colaboração com as autoridades competentes", diz trecho do comunicado.

Histórico

A saída temporária ocorre em meio a uma sequência de desgastes jurídicos. Na Operação Arena, a Justiça autorizou o bloqueio e sequestro de até R$ 1 bilhão em bens, apurando a suspeita de que Wilians teria atuado na blindagem financeira de valores ligados à Pixbet. À época da ação, a defesa do jurista, conduzida pelo advogado Santiago Schunck, repudiou as suspeitas e afirmou que a relação com a empresa limitava-se à prestação estrita de serviços de advocacia.

Além dessa ofensiva recente, o fundador do NWADV já havia enfrentado outros mandados de busca e apreensão: em setembro de 2025, em uma investigação sobre fraudes no INSS com movimentações atípicas identificadas pelo Coaf; e, em julho de 2026, em uma operação do Fisco paulista (Cira-SP) ligada a supostas fraudes tributárias com créditos de ICMS.

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