Justiça

ARTIGO: Qual o modelo de negócio ideal para a sua advocacia?

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Publicado em 09/06/2025, às 19h40   Foto: Divulgação   Daniela Rego

Na semana passada, iniciamos esta coluna com uma proposta ousada: provocar a advocacia a olhar para o futuro. Agora, quero te convidar a dar mais um passo nessa jornada empreendedora, analisando um ponto-chave na vida de qualquer advogado que deseja se destacar no mercado: o modelo de negócio.

Antes de avançar, deixo mais um pouco sobre mim. Sou Daniela Rego Silva, advogada e contadora, com uma trajetória voltada à mentoria e ao posicionamento estratégico de advogados que desejam empreender com propósito, autoridade e resultado. Acredito que o Direito pode (e deve) ser vivido com mais autonomia, inovação e visão de negócio e é exatamente isso que trago em cada coluna: uma advocacia pensada como empresa, e não apenas como profissão.

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Você, como advogado ou advogada que já atua, deve-se perguntar: qual caminho seguir?

A resposta é que nem todo escritório precisa ser igual. O segredo está em entender qual modelo faz sentido para o seu perfil, seus objetivos e seu público-alvo. Falaremos a seguir sobre três formatos bastante comuns e suas principais características:

  1. Escritório tradicional: é o modelo mais conhecido e historicamente consolidado. O foco é na atuação presencial. Possui uma estrutura física robusta, uma equipe fixa e um atendimento personalizado. Costuma abranger diversas áreas do Direito. Possui como pontos fortes: segurança para clientes mais tradicionais, forte presença institucional e relacionamentos consolidados.

Ocorre que podemos elencar aqui alguns desafios desse modelo tradicional, tais como: alto custo operacional, dificuldade de escalabilidade e resistência a inovações e mudanças tecnológicas

  1. Já o escritório boutique é menor, mais enxuto e altamente especializado. Atua em nichos específicos com alto grau de expertise e personalização. Valoriza a excelência técnica e o atendimento direto pelo advogado responsável. Possui como pontos fortes: alta percepção de valor, relacionamento direto e personalizado e forte posicionamento de marca. Mas enfrenta desafios, tais como: público mais restrito, demanda constante por atualização e diferenciação e dependência da autoridade individual.

  1. O Escritório digital é o modelo mais inovador. Baseia-se em tecnologia, automação e posicionamento digital. Foco na produção de conteúdo, captação online e atendimento remoto. Ideal para quem deseja escalar, diversificar fontes de receita e atuar em várias regiões. Quais são os seus pontos fortes? Baixo custo inicial, alcance nacional e até internacional e possibilidade de escalar serviços, infoprodutos e consultorias. Mas, longe de pensar que é o modelo perfeito, pois como qualquer outro modelo, possui desafios: alta concorrência no ambiente digital, exige domínio de ferramentas de marketing e gestão e devemos lembrar que a construção de autoridade digital leva tempo.

Logo, podemos inferir das análises dos modelos tradicionais acima que não existe fórmula única. Existe estratégia.

O grande erro é copiar modelos alheios sem entender o seu próprio propósito. Talvez você deseje crescer localmente com forte presença física, ou talvez queira transformar seu conhecimento em produtos digitais, mentorias e consultorias. Ambos os caminhos são válidos, desde que sejam construídos com clareza e estratégia.

Como mentora, vejo muitos advogados frustrados não pela falta de competência, mas por estarem presos a um modelo que não reflete quem eles são. E aqui está o ponto: empreender na advocacia é também um exercício de autoconhecimento. E sem sobra de dúvida, posso afirmar que empreender é um desafio diário, não apenas na advocacia.

Logo, deixo para sua reflexão: que tipo de advocacia você quer construir nos próximos cinco anos? Ela conversa com o modelo que você está aplicando hoje?

Na próxima semana, vamos falar sobre precificação e proposta de valor. Um dos maiores desafios da advocacia empreendedora. Até lá, convido você a rever seu modelo de atuação com olhar crítico, estratégico e com coragem para mudar, se for necessário.

Nos vemos na próxima edição!
Daniela Rego Silva
Advogada, contadora e mentora de negócios jurídicos

Classificação Indicativa: Livre


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