Justiça

ASSISTA: Desembargadora diz que juízes deixam de ir ao médico após corte de “penduricalhos” e fala em “trabalho escravo”

Magistrada afirma que cortes em benefícios levaram juízes a suspender consultas médicas e compra de remédios  |  TJPA

Publicado em 20/04/2026, às 09h24 - Atualizado às 09h44   TJPA   Redação Bnews

A desembargadora Eva do Amaral Coelho, do Tribunal de Justiça do Pará (TJ-PA), afirmou que magistrados passaram a enfrentar dificuldades financeiras após a redução de verbas remuneratórias. A declaração aparece em vídeo obtido pela Lawletter.

No material, ela relata que colegas deixaram de ir a consultas e de comprar medicamentos: “Colegas estão deixando de frequentar gabinetes de dentistas porque não vão poder pagar consulta, outros estão deixando de tomar remédios.”

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A magistrada também rebate críticas sobre supostos privilégios da categoria e descreve a rotina de trabalho fora do expediente:

“Nós trabalhamos um número enorme de horas extras em casa, inclusive final de semana quando se está de plantão. De plantão nós não estamos aqui, nós estamos trabalhando em casa. E fora os dias que se trabalha à noite revisando votos, voto em plenário virtual, revisando voto de colegas”.

Durante a fala, criticou o uso do termo “penduricalhos” para benefícios da magistratura:

“Então, dizer que o juiz não trabalha e que percebe essas verbas, essas verbas como privilégios, como ‘penduricalhos’, uma expressão tão chula”.

A desembargadora também mencionou cortes recentes e fez um alerta sobre o cenário:

“Não temos direito a auxílio-alimentação, não temos direito a essa tal gratificação por direção de foro, vocês cortaram, cortaram... Enfim, daqui a pouco a gente vai estar no rol daqueles funcionários que trabalham em regime de escravidão.”

Quanto ganha um juiz no estado?
Dados recentes do próprio Tribunal de Justiça do Pará indicam que o subsídio inicial de um juiz substituto é de R$ 35.877,26. Com a progressão na carreira, esse valor pode chegar a R$ 41.845,48 no topo, no caso de desembargadores.

Além do salário-base, há verbas como auxílio-alimentação — fixado em R$ 3.500 por portaria de 2026 — e outros benefícios previstos, o que eleva a remuneração mensal. Os valores detalhados, com adicionais e descontos, são divulgados no portal de transparência do TJ-PA e variam conforme a situação funcional de cada magistrado.

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