Justiça
Publicado em 01/11/2025, às 20h50 Reprodução/Redes sociais Redação BNews
A Justiça de São Paulo condenou o cabeleireiro Diego Beserra Ernesto, de 38 anos, pelos crimes de injúria racial, discriminação e preconceito de raça ou de cor após dizer que não contrata "gordo, petista, preto, feminista e viado". Além da condenação, ele será obrigado a pagar mais de R$ 30 mil em indenizações por danos morais.
O caso ocorreu em janeiro de 2023. Segundo a denúncia do Ministério Público de São Paulo (MPSP), Diego é proprietário de um salão de beleza na rua Cardoso de Almeida, em Perdizes, São Paulo, e sublocava parte do estabelecimento para Jeferson Dornelas, um homem negro.
Jeferson relatou, em boletim de ocorrência, que havia mandando mensagem a Diego falando sobre uma profissional que havia desistido de trabalhar como sua assistente um dia depois de aceitar o emprego. Ao responder a mensagem, o dono do salão proferiu as falas preconceituosas.
"Fala, mano, beleza? Cara, eu coloquei uma regra para mim, eu não te enxergo dessa forma, não se ofenda: não contrato gordo, não contrato petista e não contrato preto, você está entendendo?", disse.
Em um outro áudio, ele afirmou: "Esqueci de falar, mano, não contrato mais viado, velho. Principalmente viado, mano, viado nem fodendo. Não contrato mais. Só se a pessoa estiver mentindo, tá ligado?".
A profissional que desistiu do emprego, identificada como Ana Carolina de Sousa, disse à polícia que esteve no salão no dia anterior para uma entrevista e que percebeu olhares de "desprezo e desdém" de Diego. Chateada, informou a Jeferson que não ficaria com a vaga.
Conforme a denúncia feita à Justiça, a promotora Mariana Camila de Melo afirmou que o cabeleireiro praticou discriminação e preconceito. Segundo ela, todas as pessoas que trabalham no salão são "brancas, magras e heterossexuais".
"Trata-se de conduta criminosa que produz gravíssimos e deletérios efeitos no corpo social brasileiro", declarou.
À Justiça, Diego afirmou que os áudios foram retirados de contexto e que não estava se referindo à profissional. Disse ainda que mantém um excelente convívio "com pessoas negras, homossexuais e gordas".
Ele foi condenado a pagar uma indenização de R$ 15.180 à profissional ofendida e a uma reparação no mesmo valor a um fundo público por danos morais coletivos. Também recebeu uma pena de 2 anos, 4 meses e 24 dias de reclusão, punição que foi substituída pela prestação de serviços comunitários e o pagamento de um salário-mínimo a uma instituição social. Diego ainda pode recorrer.