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Justiça

Conselheiro baiano do CNMP vira alvo da Corregedoria após declarar voto em Flávio Bolsonaro

Edvaldo Nilo, conselheiro do CNMP, enfrenta apuração após apoiar Flávio Bolsonaro, gerando reações na política brasileira  |  Foto: Divulgação

Publicado em 16/10/2026, às 15h30   Foto: Divulgação   Claudia Cardozo

O conselheiro do Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP), Edvaldo Nilo de Almeida, virou alvo de apuração interna após declarar publicamente seu apoio à candidatura presidencial do senador Flávio Bolsonaro(PL). Natural de Antas, no sertão baiano, o jurista publicou um artigo no portal Poder360 com o título “Por que voto em Flávio Bolsonaro”, atitude que gerou forte reação nos bastidores de Brasília e motivou a abertura de uma reclamação disciplinar.

No texto, Nilo elencou quatro eixos para justificar a escolha: responsabilidade fiscal, endurecimento da segurança pública contra o crime organizado, convergência de valores conservadores e o fim da reeleição no Executivo.

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A postura rendeu reação imediata da Corregedoria Nacional do MP. O corregedor Fernando Comin emitiu ofício circular lembrando a promotores e procuradores que a Constituição e o Código de Ética da categoria proíbem expressamente qualquer tipo de atividade político-partidária ou apoio público a candidaturas, inclusive em artigos de opinião ou redes sociais. Como medida cautelar, a Corregedoria deu 48 horas para Nilo se manifestar e determinou a retirada de conteúdos com teor eleitoral do ar.

A situação do baiano, porém, traz particularidades. Procurador do Distrito Federal desde 2009, Nilo não é membro de carreira do Ministério Público. Ele ocupa a vaga do CNMP indicada pela Câmara dos Deputados desde fevereiro de 2024, onde comanda a Comissão de Acompanhamento Legislativo e Jurisprudência (CALJ). Seu nome agora aguarda sabatina na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado para nova recondução.

Com histórico acadêmico extenso, formado pela Unifacs, com mestrado no IDP, doutorado pela PUC-SP e pós-doutorados na Europa, Edvaldo Nilo carrega no sangue a política e o meio jurídico da Bahia. Ele é sobrinho do ex-presidente da Assembleia Legislativa da Bahia (ALBA) e deputado federal Marcelo Nilo, e da presidente do Tribunal Regional do Trabalho da Bahia (TRT-BA), desembargadora Ivana Magaldi Nilo.

A ligação com a política partidária já havia ficado clara em 2022. Naquela eleição, antes de chegar ao conselho, o advogado doou mais de R$ 1 milhão para 19 candidatos à Câmara. O maior repasse individual foi justamente para a campanha do tio Marcelo Nilo (R$ 200 mil), seguido por aportes a outros caciques baianos, como o deputado federal Elmar Nascimento (União Brasil), o que sedimentou as pontes que o levaram à cúpula do CNMP.

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