Justiça

Corregedoria do TJBA abre sindicância contra oficial de Justiça citado na Faroeste por suposta intimidação a produtores rurais

Bartolomeu Bispo já esteve envolvido em investigações da Operação Faroeste, que desarticulou venda de sentenças e grilagem de terras  |  Foto: Rodrigo Oliveira Braga/ BNews

Publicado em 24/08/2026, às 10h30   Foto: Rodrigo Oliveira Braga/ BNews   Claudia Cardozo

A Corregedoria Judicial do Tribunal de Justiça da Bahia (TJBA) determinou a abertura de uma nova sindicância administrativa contra o oficial de Justiça Bartolomeu Bispo. O servidor, que já teve o nome ligado a episódios investigados nos desdobramentos da Operação Faroeste, agora é alvo de apuração interna por suspeita de ameaça velada e coação contra produtores rurais no interior do estado.


A decisão foi formalizada pelo corregedor-geral, desembargador Salomão Resedá. De acordo com o documento, a medida atende a elementos colhidos em um procedimento aberto pela Corregedoria.

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Visita intimidatória e coação


A apuração mira uma suposta visita de caráter intimidatório realizada pelo servidor a produtores agrícolas de uma fazenda, além de eventuais práticas de coação ligadas a um processo em curso.


O caso apura o descumprimento de deveres funcionais previstos no Estatuto dos Servidores Públicos Civis da Bahia (Lei Estadual nº 6.677/1994), entre eles a obrigação de lealdade, observância de normas legais, conduta compatível com a moralidade administrativa e proibição de coagir subordinados ou munícipes, além de regras da Lei de Organização Judiciária do Estado (Lei nº 10.845/2007).


Para conduzir os trabalhos, o corregedor-geral designou o juiz auxiliar Marcos Ledo. O magistrado terá um prazo regulamentar de 60 dias para apresentar o relatório conclusivo com as recomendações de arquivamento ou abertura de Processo Administrativo Disciplinar (PAD).


Histórico no radar da Faroeste


Esta não é a primeira vez que Bartolomeu Bispo entra na mira de apurações do Judiciário e de órgãos de controle. O servidor já foi citado em relatórios e desdobramentos da Operação Faroeste, deflagrado pelo Ministério Público Federal (MPF) e Polícia Federal para desarticular a venda de sentenças e grilagem de terras no oeste baiano.


Em episódios anteriores da operação, apurações apontaram a atuação do oficial de Justiça em cumprimento controverso de ordens judiciais de reintegração e posse de terras, além de supostas ligações com articuladores fundiários investigados na Operação Faroeste, como o operador Domingos Bispo.

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