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Justiça

Delator que decidiu colaborar e desmantelar a Faroeste, Júlio César pede perdão judicial ao STJ

Júlio César Cavalcanti Ferreira, delator da Operação Faroeste, solicita perdão judicial com apoio do Ministério Público Federal  |  Foto: Divulgação

Publicado em 04/11/2026, às 13h00   Foto: Divulgação   Claudia Cardozo

Considerado um dos personagens principais de um dos maiores escândalos de corrupção que abalou o Poder Judiciário brasileiro, o delator, advogado Júlio César Cavalcanti Ferreira e ex-funcionário do Tribunal de Justiça da Bahia(TJBA), quer perdão judicial pelos crimes que cometeu no caso investigado pela Operação Faroeste. O advogado Fábio Basílio, que defende o delator no Superior Tribunal de Justiça (STJ), destacou que o próprio Ministério Público Federal (MPF) concordou com o pedido de perdão judicial em favor de Júlio.

Ao pontuar a postura do cliente diante do peso das acusações e a firmeza na colaboração com as autoridades, Basílio evocou o escritor paraibano Ariano Suassuna na tribuna: 

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Como dizia o grande Ariano Suassuna, 'o otimista é um tolo, o pessimista um chato, bom mesmo é ser um realista esperançoso'. E é com esse realismo esperançoso que a defesa se apresenta, convicta de que o tribunal saberá reconhecer o valor e a lealdade de quem decidiu colaborar de forma efetiva com a verdade e com a Justiça".

Durante a sustentação da acusação, a subprocuradora-geral da República Luiza Cristina Frischeisen destacou que a colaboração do advogado foi decisiva para desvendar a atuação criminosa dentro do gabinete da desembargadora aposentada compulsoriamente Sandra Inês Rusciolelli, com entrega de provas robustas e participação direta em ações controladas da Polícia Federal.

Apontado inicialmente como o operador encarregado de redigir minutas no gabinete e articular repasses entre o grupo Bom Jesus Agropecuária e o núcleo familiar da magistrada baiana, Júlio César tomou a decisão de colaborar ainda nos primeiros estágios da Operação Faroeste. A postura de municiar os investigadores com gravações, pen drives contendo despachos antes da assinatura oficial e registros bancários foi uma das bases para grande parte das denúncias que abalaram a cúpula do Judiciário estadual.

A expectativa da defesa é que o colegiado sacramente a extinção total da punibilidade pela via premial, validando a eficácia das informações prestadas pelo delator. Caso o voto do relator acolha integralmente o parecer da PGR, Júlio César sela sua saída do processo penal sem cumprimento de pena, reservando a atuação de seu advogado apenas para uma eventual divergência entre os ministros da Corte Especial.

Classificação Indicativa: Livre


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