Justiça

Eternit é condenada por não registrar acidentes de trabalho e pode pagar multa milionária na Bahia

O processo começou em 2017, depois que a empresa descumpriu um acordo firmado em 2002  |  Reprodução / MPT

Publicado em 02/10/2025, às 09h37   Reprodução / MPT   Redação Bnews

A Eternit S.A. foi condenada pela Justiça do Trabalho a registrar todos os acidentes e doenças ocupacionais de seus funcionários, mesmo nos casos em que não haja afastamento. A decisão veio após recurso do Ministério Público do Trabalho (MPT) na Bahia.

O processo começou em 2017, depois que a empresa descumpriu um acordo firmado em 2002. Pelo documento, a Eternit se comprometia a emitir a Comunicação de Acidente de Trabalho (CAT) sempre que houvesse registros de incidentes. Como não cumpriu, o valor da multa foi calculado em R$ 9,125 milhões.

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A condenação foi confirmada pela 5ª Turma do Tribunal Regional do Trabalho da Bahia. A Eternit ainda pode recorrer, mas não em relação ao mérito. A determinação é clara: a empresa deve cumprir a obrigação de comunicar todos os casos de acidentes ou adoecimento. Caso não o faça, será multada.

A Eternit foi uma das maiores beneficiárias da exploração do amianto no Brasil, material usado por décadas em telhas e caixas d’água, mas reconhecido como cancerígeno. Embora tenha abandonado o uso da fibra, a companhia segue respondendo na Justiça por danos à saúde de trabalhadores e da população exposta.

O amianto já foi proibido em boa parte do país, mas ainda há estoques e rejeitos da substância. No interior da Bahia, um estudo recente avaliou mais de 450 pessoas, entre ex-funcionários e familiares, para acompanhar possíveis casos de câncer ligados à exposição ao minério.

O MPT mantém desde 2012 o Grupo de Trabalho Amianto, que atua em três frentes: atendimento a trabalhadores expostos, medidas jurídicas contra empresas e acompanhamento dos impactos econômicos do banimento da fibra no Brasil.

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