Justiça
Publicado em 21/09/2026, às 06h31 Fernando Frazão/Agência Brasil Redação Bnews
O Tribunal Superior do Trabalho (TST) julga às 13h30 desta segunda-feira (21) o dissídio coletivo dos trabalhadores dos Correios, em greve nacional desde 10 de setembro.
A estatal acionou a Justiça um dia após o início da paralisação e pediu que o tribunal declare o movimento abusivo e determine a continuidade dos serviços. O principal ponto de divergência entre os trabalhadores e a empresa é a mudança no plano de saúde.
A Justiça determinou, por meio de liminar, que os trabalhadores mantenham 80% do efetivo em cada unidade ou estabelecimento dos Correios durante a greve.
Mesmo com a determinação, há relatos de consumidores e pequenos vendedores sobre encomendas que ultrapassaram o prazo informado, ficaram sem atualização no rastreamento e tiveram problemas relacionados a pedidos de reembolso do frete.
O julgamento desta segunda-feira deverá analisar a legalidade da paralisação e as reivindicações apresentadas pela categoria.
A principal reivindicação dos trabalhadores é a manutenção do modelo atual do plano de saúde. Atualmente, os Correios atuam como mantenedora do plano de saúde da categoria. Nesse modelo, a empresa assume a responsabilidade principal pelo custeio e pela sustentabilidade financeira do benefício, além dos riscos da operação.
A proposta dos Correios é que a estatal passe a atuar apenas como patrocinadora, sem assumir esses riscos. Segundo Douglas Melo, a mudança alteraria a forma de custeio e aumentaria os valores descontados dos salários dos empregados.
A judicialização do conflito é criticada pela categoria e tenta negociar. Os Correios já afirmaram anteriormente que as agências permanecem abertas e funcionando normalmente. A estatal montou um plano de ação com servidores administrativos para apoiar as atividades operacionais e realizar mutirões de entrega, com o objetivo de preservar o fluxo logístico e minimizar os impactos aos clientes.
Em nota divulgada na semana passada, a empresa afirmou manter o respeito ao direito de greve, mas considerou que a paralisação ocorre em um momento especialmente sensível.
O plano de saúde já esteve entre as principais reivindicações da categoria na greve realizada no fim de 2025. Na ocasião, o TST julgou o dissídio coletivo e manteve os direitos dos trabalhadores.
A direção dos Correios recorreu ao Supremo Tribunal Federal (STF), que, em janeiro deste ano, concedeu uma liminar e suspendeu quatro cláusulas do acordo, entre elas a relacionada ao plano de saúde.
Nesta sexta-feira (18), o STF iniciou o julgamento de mérito dessas cláusulas, com decisão prevista até o dia 25.
A greve ocorre durante uma crise financeira dos Correios. A empresa registrou prejuízo de R$ 2,4 bilhões no segundo trimestre e formalizou um pedido de garantia do Tesouro Nacional para contratar um novo empréstimo de R$ 7 bilhões com bancos privados.
O crédito faz parte do plano de reestruturação financeira da empresa. Os Correios já contrataram um empréstimo de R$ 12 bilhões em dezembro de 2025 e têm previsão de receber outros R$ 6 bilhões em recursos da União em 2027.
No fim de agosto, a estatal abriu um novo Plano de Demissão Voluntária (PDV) para funcionários que trabalham em unidades incluídas no plano de reestruturação, que prevê o fechamento de lojas.