Justiça

Jornalista perseguido por Zambelli enquanto estava armada é condenado por difamação

A deputada processou o jornalista após ter publicado um texto sobre o caso em uma coluna  |  Foto: Reprodução / Vídeo / Redes sociais

Publicado em 10/06/2024, às 11h12   Foto: Reprodução / Vídeo / Redes sociais   Da redação

O jornalista Luan Araújo, perseguido pela deputada Carla Zambelli (PL-SP) enquanto ela estava armada, foi condenado criminalmente por difamação. A decisão foi do juiz Fabricio Reali Zia, do Juizado Especial do Foro Criminal da Barra Funda, em São Paulo. As informações são do portal Jota. O caso aconteceu às vésperas das eleições de 2022, após uma publicação em uma coluna no site em que o jornalista trabalhava, o Diário do Centro do Mundo.

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No texto que causou o processo, o jornalista afirma que a deputada usou o episódio em que foi perseguido para fazer "o picadeiro clássico de uma extrema-direita mesquinha, maldosa e que é mercadora da morte". O jornalista foi condenado a 8 meses de detenção e 28 dias-multa em regime aberto. A pena foi substituída por prestação de serviços comunitários. O advogado de Zambelli, Daniel Bialski, também pediu a condenação por injúria, mas essa foi negada.

“Zambelli, que diz estar com problemas, na verdade está na crista da onda. Continua no partido pelo qual foi eleita, segue com uma seita de doentes de extrema-direita que a segue incondicionalmente e segue cometendo atrocidades atrás de atrocidades (...) Para mim, um homem preto, pobre e com problemas enormes, aquele dia não acabou. Ele faz questão de durar dias e mais dias até hoje. De uma forma cruel”, disse Araújo na coluna, sobre o episódio.

Na época, Zambelli chegou a sacar uma arma durante a discussão com o jornalista. Um dos seguranças da deputada chegou a efetuar um disparo e a ser preso em flagrante, mas foi solto horas depois ao pagar fiança no valor de um salário mínimo. O caso ainda está em tramitação no Supremo Tribunal Federal (STF).

Ainda segundo o Jota, o juiz considerou que houve 'excesso' por parte do jornalista no texto da coluna. Na decisão, também aponta "intenção do querelado de difamar a querelante". Para o magistrado, os termos usados pelo jornalista "inevitavelmente violaram a honra objetiva da ofendida, sem correlação com a proteção da liberdade de expressão, do direito de informar ou do exercício de mera crítica". 

A defesa de Araújo afirma que discorda da sentença e irá recorrer da decisão: "Vamos apresentar um recurso no Tribunal de Justiça e outro no Supremo Tribunal Federal (STF), porque nós entendemos que houve uma violação da liberdade de imprensa e liberdade de expressão. Luan, quando escreveu a matéria, estava no exercício da sua profissão como jornalista", argumentou o advogado Renan Bohus. 

Classificação Indicativa: Livre


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