Justiça
Publicado em 13/02/2026, às 02h03 Bnews Claudia Cardozo
A folia no Circuito Barra-Ondina ganha um reforço fundamental na garantia de direitos com a presença estratégica do Judiciário. Em entrevista direta do posto de informações do Tribunal de Justiça da Bahia (TJBA), o juiz Walter Ribeiro Costa Júnior, titular da 1ª Vara da Infância e da Juventude há 13 anos, detalhou como a estrutura judiciária se integra à festa para proteger o público infantojuvenil.
Para o magistrado, a presença da unidade próxima à folia é uma questão cultural e de necessidade prática. O foco, segundo ele, divide-se em duas frentes: o cuidado básico com os pequenos e o diálogo preventivo com os adolescentes.
Um dos pontos de maior sensibilidade apontados pelo juiz é o impacto psicológico de incidentes comuns na multidão. Ele reforça a necessidade do uso de pulseiras de identificação para evitar que a festa se torne um pesadelo. “Uma vez uma criança perdida no circuito da festa é realmente algo, para ela, muito traumático”, pontua Walter Ribeiro, destacando a parceria com a Polícia Militar para minimizar esses efeitos.
Além do risco de desencontros, o juiz chama a atenção para a saúde física dos pequenos nos corredores da folia. “Existem muitos pais que levam seus filhos para locais de muitos decibéis em termos de sons. São questões que permeiam os cuidados básicos”, alerta.
Quando o foco muda para os maiores de 12 anos, a estratégia da Vara da Infância passa a ser o diálogo e a vigilância contra a exploração. O magistrado faz um alerta contundente sobre as consequências que surgem após o fim da festa.
Não adianta comprar abadás, camarote e, na verdade, não acompanhar. Porque nós temos, após o Carnaval, diversas demandas: gravidez precoce, a iniciação ou a entrada na questão dos vícios através do álcool, que abre a porta para demais substâncias entorpecentes”, afirma o juiz.
A operação também mira o chamado "turismo sexual". Walter Ribeiro explicou que o tribunal trabalha em rede com hotéis, motoristas de aplicativo, aeroportos e rodoviárias para identificar e coibir abusos. O objetivo é fechar o cerco contra quem busca os festejos de Salvador para cometer crimes contra menores.
Ao ser questionado sobre o conselho que daria aos responsáveis que levam os filhos para a rua, seja para o lazer ou em contextos de trabalho, o magistrado foi enfático sobre a natureza da proteção jurídica.
A questão primeira é a responsabilidade. É um ser em desenvolvimento. Não é um ser ainda capaz de se autogerir. Mesmo que ele tenha 17 anos, 11 meses e 29 dias, ele ainda é um ser em desenvolvimento. Então, precisa-se ter uma atenção a essas etapas da vida”, declarou.
O juiz encerrou reforçando que a alegria da festa não isenta o dever de vigilância: “O Carnaval é importante, a folia é importante, mas sem sombra de dúvida, participar com responsabilidade e cuidar é o comando em mãos”.