Justiça
Publicado em 15/09/2026, às 08h41 Gustavo Moreno/SCO/STF Matheus Simoni
Os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) julgam nesta terça-feira (15) a conduta de Alexandre de Mores na relação com o Banco Master em meio à maior crise do Judiciário de todos os tempos. Desde que o ministro André Mendonça retirou, no começo de setembro, o sigilo do relatório da Polícia Federal (PF) que apontou 52 mensagens de Vorcaro para Moraes, o STF vive uma guerra de liminares por conta da gravidade do caso.
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No entanto, outro fator por agravar ainda mais a imagem do Supremo. Isso porque outros quatro ministro também têm alguma relação direta ou indireta com o Banco Master. São eles: André Mendonça, Dias Toffoli, Kassio Nunes Marques, Luiz Fux e Alexandre de Moraes.
Diretamente envolvidos na situação, André Mendonça e Alexandre de Moraes podem ser declarados impedidos ou suspeitos no julgamento. Já Toffoli, primeiro primeiro relator dos inquéritos envolvendo o Banco Master e a Operação Compliance Zero na Suprema Corte, deixou a relatoria dos processos no início de 2026, após questionamentos sobre um resort no Paraná. O avanço das investigações revelou uma teia que envolve o banco Master, a gestora de investimentos Reag e o Resort Tayayá, que teve participação da família do ministro até o ano passado. Diante da revelação de investimentos e operações vinculadas a fundos associados ao grupo financeiro de Vorcaro, Toffoli deixou a relatoria do caso, abrindo caminho para André Mendonça ser o novo relator.
Os outros dois ministros têm elos indiretos com o Banco Master. O principal fundamento apresentado nos bastidores é a existência de ligações de familiares diretos de Luiz Fux e Kássio Nunes Marques, o que comprometeria a imparcialidade das votações. Em relação ao ministro Luiz Fux, seu filho, Rodrigo Fux, esteve presente em eventos organizados por Daniel Vorcaro. Relatórios e levantamentos divulgados na imprensa apontam que Rodrigo esteve em outros eventos sociais que teriam organização tocada pelo banqueiro, incluindo um convite para um camarote na Marquês de Sapucaí em 2025.
Entre os vínculos citados sobre Nunes Marques, o filho dele, Kevin Marques, prestou consultoria e recebeu R$ 6,6 milhões do Banco Master. Dados do Coaf apontam que a empresa Consult recebeu valores milionários. Desse total, o escritório de advocacia de Kevin recebeu cerca de R$ 281,6 mil por meio de repasses da consultoria. Além disso, em novembro do ano passado, o ministro e sua esposa viajaram em um jato particular de Brasília para Maceió para uma festa de aniversário. A aeronave em questão pertencia a uma empresa ligada à Prime You, da qual Daniel Vorcaro foi sócio até setembro de 2025. O voo foi organizado e pago pela advogada Camilla Ewerton Ramos, que atua na defesa do Banco Master.
Diante dos possíveis impedimentos, uma ala do Supremo defende que apenas cinco ministros votariam no julgamento desta terça: Edson Fachin, Cármen Lúcia, Flávio Dino, Cristiano Zanin e Gilmar Mendes. Destes, a relatoria do caso cabe ao presidente do STF, que deve nortear o posicionamento a ser seguido pelos outros magistrados.
Após a abertura dos trabalhos na Corte, será feita a leitura e a aprovação da ata da sessão anterior, seguida da saudação de praxe aos ministros como sempre acontece no STF.
Na sequência, será realizado o pregão do processo, com leitura do relatório por parte de Fachin e a delimitação do objeto do julgamento.
Após a leitura, será facultada a manifestação da Procuradoria-Geral da República (PGR), além de eventuais sustentações orais de ministros. É esperado que todos os ministros tenham alguma manifestação durante o julgamento. Encerradas as manifestações, o relator apresentará seu voto. Em seguida, votarão os demais ministros, na ordem regimental.
Ao final do julgamento, o presidente Edson Fachin proclamará o resultado.
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