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Justiça

Justiça condena salão de beleza a pagar R$ 15 mil de indenização por cobrar a mais de cliente com cabelo crespo

Cliente tomou conhecimento de conversas mantidas em grupo de mensagens com comentários depreciativos a seu respeito  |  Reprodução/ Magnific

Publicado em 01/11/2026, às 15h06   Reprodução/ Magnific   Bernardo Rego

Após uma cliente sofrer discriminação racial em um salão de beleza por ter o cabelo crespo, a juíza Simone Nojiecoski dos Santos da 2ª Vara do Juizado Especial Cível de São Paulo, determinou que o estabelecimento comercial pague uma indenização de R$ 15 mil à cliente. De acordo com o processo, a cliente foi informada de que seriam cobrados valores adicionais porque seu cabelo demandaria “maior tempo e cuidado”. Depois, tomou conhecimento de conversas mantidas em grupo de mensagens com comentários depreciativos e de cunho discriminatório a seu respeito.

Na sentença, a juíza pontuou a responsabilidade do empregador pela reparação dos prejuízos causados por seus empregados no exercício do trabalho ou em razão dele, bem como as garantias previstas no Código de Defesa do Consumidor, que assegura proteção contra práticas comerciais abusivas e a reparação dos danos sofridos.

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A magistrada qualificou como “tentativa de desfigurar a realidade” a alegação defensiva de que a associação de um animal à vítima teria significado esportivo ou figurado, sem conotação discriminatória. “A associação pejorativa de uma mulher negra a um animal de plumagem preta e hábitos carniceiros constitui manifestação típica de desumanização histórica e degradação étnico-racial, ostentando evidente teor discriminatório e ofensivo à sua identidade racial e decoro. Ainda que as mensagens tenham circulado em grupo corporativo interno, a humilhação repercutiu diretamente na esfera íntima da consumidora ao tomar ciência de que era tratada como objeto de chacota e menosprezo por aqueles a quem confiava seus cuidados estéticos", ressaltou.

A magistrada aplicou ao caso o Protocolo para Julgamento com Perspectiva Racial, instituído pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ) a todo o Judiciário brasileiro, destinado a evitar que o exercício da função jurisdicional perpetue estereótipos negativos associados a grupos raciais historicamente marginalizados. Da decisão ainda cabe recurso. 

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Classificação Indicativa: Livre


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