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Justiça

Marcola tenta derrubar investigação que levou Deolane à prisão após acusação de lavagem milionária ligada ao PCC

Marcola contesta provas de investigação sobre lavagem de dinheiro ligada ao PCC e tenta barrar ação que também envolve Deolane Bezerra  |  Reprodução / Redes Sociais

Publicado em 07/11/2026, às 11h04   Reprodução / Redes Sociais   Tiago Di Araújo

Apontado como chefe do Primeiro Comando da Capital (PCC), Marco Willians Herbas Camacho, o Marcola, decidiu reagir na Justiça às acusações de envolvimento em um esquema milionário de lavagem de dinheiro que também colocou a influenciadora Deolane Bezerra na mira das autoridades.

A defesa do criminoso questiona a validade das provas reunidas durante a investigação e sustenta que o Ministério Público de São Paulo (MPSP) não apresentou elementos suficientes para comprovar sua participação nos crimes.

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A movimentação ocorreu na última terça-feira (4), quando o advogado Bruno Ferullo protocolou a resposta à acusação apresentada pelo MPSP. No documento, a defesa aponta supostas irregularidades desde a fase investigativa e pede acesso a materiais que, segundo o representante legal, ainda não foram disponibilizados aos acusados.

As informações foram divulgadas pela coluna de Mirelle Pinheiro, do portal Metrópoles. A manifestação também contempla três parentes de Marcola: Alejandro Juvenal Herbas Camacho Junior, Paloma Sanches Herbas Camacho e Leonardo Alexsander Ribeiro Herbas Camacho, que são defendidos pelo mesmo advogado.

Em nota, Ferullo afirmou que a defesa identificou falhas que, em seu entendimento, comprometem a validade dos atos processuais. Também solicitou diligências para esclarecer os fatos e garantir o exercício do contraditório e da ampla defesa.

Marcola contesta apelido usado para ligá-lo ao esquema

Um dos pontos centrais da contestação envolve a identificação de Marcola nas conversas analisadas pelos investigadores. Segundo a defesa, a associação do nome do apontado líder do PCC ao esquema teria ocorrido exclusivamente por causa de um apelido atribuído a ele por terceiros.

A investigação sustenta que o codinome “Narigudo” era utilizado para se referir a Marcola. O advogado, porém, contesta essa interpretação e afirma que a referência não seria suficiente para comprovar o envolvimento do cliente nas movimentações financeiras investigadas.

A defesa também questiona a consistência dos elementos apresentados pelo Ministério Público e aguarda a manifestação do órgão e a análise dos pedidos pelo juízo.

Bilhetes em presídio deram origem à investigação contra o PCC

O caso tem origem em uma investigação iniciada em 2019, após policiais penais apreenderem bilhetes que circulavam entre detentos da Penitenciária II de Presidente Venceslau, no interior de São Paulo.

Conforme informações reunidas pelo BNews em reportagem publicada na sexta-feira (6), o material revelou detalhes da dinâmica interna do PCC, da atuação de lideranças da facção e de possíveis ataques contra agentes públicos.

A partir das informações encontradas nos bilhetes, os investigadores chegaram a uma transportadora instalada na região de Presidente Venceslau. A empresa teria sido utilizada como instrumento para lavar dinheiro atribuído à organização criminosa.

O avanço das apurações levou à identificação de movimentações financeiras consideradas incompatíveis com a capacidade econômica dos envolvidos e de indícios de crescimento patrimonial sem justificativa.

A investigação também apontou a utilização de pessoas interpostas e empresas de fachada para movimentar recursos e ocultar a origem do dinheiro.

Deolane aparece em mensagens e é apontada como integrante do núcleo financeiro

A influenciadora Deolane Bezerra entrou no centro do caso após a análise de conversas encontradas em um celular apreendido durante as investigações. Segundo o Ministério Público, as mensagens indicariam possíveis repasses financeiros à advogada e vínculos pessoais e comerciais com um dos gestores considerados fictícios da transportadora.

A acusação sustenta que Deolane teria integrado o núcleo financeiro da estrutura investigada. De acordo com os dados apresentados pelo Ministério Público, ela recebeu R$ 1.067.505 em depósitos fracionados entre 2018 e 2021. A modalidade, conhecida como smurfing, consiste na divisão de valores em várias transações menores para dificultar a identificação da origem dos recursos.

Paloma Sanches Herbas Camacho, sobrinha de Marcola, também aparece na investigação como possível elo entre a influenciadora e integrantes da cúpula do PCC.

Na denúncia, o Ministério Público dividiu os investigados em três núcleos. O decisório seria formado por Marcola e seu irmão, Alejandro Juvenal Herbas Camacho Junior. O operacional teria a participação de Everton de Sousa, conhecido como Player, e Paloma. Já Deolane e Leonardo Alexsander Ribeiro Herbas Camacho foram apontados como integrantes do núcleo financeiro.

As acusações são contestadas pelas defesas dos envolvidos.

Operador financeiro do PCC pede prisão domiciliar

Outro investigado que apresentou resposta à acusação foi Everton de Sousa, o Player, apontado pelo Ministério Público como operador financeiro do grupo. O advogado José Albino Neto também questionou supostas irregularidades na investigação.

A defesa, no entanto, acrescentou um pedido relacionado ao estado de saúde do acusado. Segundo o advogado, Player está em tratamento oncológico e teria apresentado agravamento do quadro após ingressar no sistema penitenciário.

Por esse motivo, foi solicitada a substituição da prisão preventiva por prisão domiciliar, para permitir a continuidade do tratamento médico.

A defesa afirmou que a condição clínica do investigado é a principal preocupação dos familiares e pediu que o Judiciário avalie a necessidade de manutenção da prisão nas condições atuais.

As manifestações apresentadas pelos advogados agora aguardam análise da Justiça. Até o momento, os investigados contestam as acusações relacionadas à Operação Vérnix.

Classificação Indicativa: Livre


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