Justiça
Publicado em 31/07/2026, às 13h47 - Atualizado às 14h08 Foto: Bnews Claudia Cardozo
A consolidação de uma rede integrada de organizações sociais e a busca por gestão profissionalizada são os caminhos importantes para garantir a sustentabilidade do terceiro setor na Bahia. É o que defende a diretora-executiva da Fundação Maria Emília, Thamile Accioly, em entrevista concedida ao BNews nesta sexta-feira (31), durante o 1º Fórum Estadual de Fundações da Bahia, realizado na sede do Ministério Público estadual (MPBA), no CAB.
Para a gestora, o evento simboliza um divisor de águas na relação entre as entidades filantrópicas e os órgãos públicos, além de promover um ambiente de troca técnica que vinha fazendo falta no estado.
Importantíssimo, a gente precisava movimentar essa rede na Bahia. Estamos trazendo pessoas de altíssima relevância para falar sobre temáticas que interessam a todo o setor e, com isso, nos estruturar, ter mais transparência, governança e profissionalização. Vai ser um marco para a Bahia", avaliou Thamile.
A diretora destacou que o foco deve estar no impacto social concreto e no desenvolvimento humano, citando a atuação da própria Fundação Maria Emília.
"Cada um tem o seu papel super importante. No caso da Fundação Maria Emília, nosso papel é investir em educação e saúde, não sendo assistencialista. A gente apoia bolsas de estudo, formação de pessoas, projetos e pesquisas. Se a gente estiver profissionalizado e entendendo o papel de cada um, consegue atuar com muito mais transparência e atrair mais recursos e apoio", explicou.
Políticas Públicas
Thamile ressaltou a reaproximação institucional com o Ministério Público como uma mudança de paradigma essencial. Segundo ela, desmistificar o papel do MP, enxergando o órgão não apenas como agente fiscalizador, mas como parceiro estratégico, é fundamental para que as ações sociais se convertam em políticas públicas permanentes.
Essa parceria com o MP promove e mostra que o Ministério Público não está aqui somente para fiscalizar, mas para apoiar as outras instituições. Quanto mais próximo a gente estiver desse tipo de apoio, atuando junto com as políticas públicas, melhor. Afinal de contas, ninguém faz nada sozinho. Não adianta fazer um trabalho isolado se ele não virar uma política pública para efetivamente apoiar a sociedade", afirmou a diretora.
Diante dos desafios de sustentabilidade financeira enfrentados pelas instituições filantrópicas, a gestora enfatizou que a receita para atrair novos investidores passa diretamente pela governança interna e pelo fim do retrabalho entre entidades que atuam no mesmo segmento.
A solução para a sustentabilidade é a profissionalização, a transparência e a união de forças. Muitas vezes tem muita gente fazendo a mesma coisa em educação, saúde ou cultura. Fortalecer essa rede dá uma sustentabilidade muito maior. A transparência ajuda muito, porque se profissionalizando você se torna capaz de captar mais recursos e atuar de forma cada vez mais forte", concluiu.
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