Justiça
Publicado em 04/09/2026, às 11h05 Foto: Victor Piemonte/STF Claudia Cardozo
O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), expôs nesta quarta-feira (3), no âmbito do Inquérito das Fake News, relatórios de inteligência da Polícia Federal que descrevem investidas de André Mendonça contra as cúpulas da própria Polícia Federal e do Ministério Público Federal (MPF). As informações foram remetidas ao presidente do STF, ministro Edson Fachin, após Moraes determinar a requisição de informes internos da corporação que menciona integrantes do tribunal.
De acordo com os relatórios produzidos durante as operações Sem Desconto e Compliance Zero, André Mendonça manifestou desconfiança reiterada sobre o diretor-Geral da PF, Andrei Rodrigues, apontando uma suposta "proximidade inadequada" com o Palácio do Planalto, embora sem indicar atos ilícitos objetivos. Em reunião presencial com a equipe de investigadores, o ministro chegou a afirmar que mantinha procedimento em aberto no gabinete para avaliar o afastamento cautelar do chefe da corporação.
O documento acolhido por Moraes no inquérito relata ainda uma articulação processual envolvendo o procurador-geral da República, Paulo Gonet. Mendonça teria dito que a proximidade do procurador com o decano Gilmar Mendes o tornaria "indigno de confiança" e adiantou a intenção de arrolar o chefe do MPF como testemunha dos processos decorrentes das apurações. A PF alertou que a medida provocaria um impacto institucional calculado: como o PGR é o titular da ação penal originária no STF, virar testemunha geraria seu impedimento automático, afastando-o da condução do caso.
A crise no STF se agravou nos últimos dias diante dos fatos investigados contra o Banco Master e Daniel Vorcaro, principalmente com o conflito entre a PF e as tentativas de neutralizar o chefe do Ministério Público. A crise levou Alexandre Moraes a puxar os relatórios para o Inquérito 4.781, derrubar o sigilo das reuniões e enviar o material ao presidente da Corte, Edson Fachin, pedindo a abertura de procedimento formal contra Mendonça por quebra de imparcialidade e crime de responsabilidade.