Justiça
Publicado em 14/01/2026, às 10h32 Foto: Divulgação Claudia Cardozo
O Ministério Público Federal na Bahia (MPF-BA) na Bahia converteu a Operação Strike de investigação em um inquérito civil. A operação foi deflagrada para desarticular um esquema de corrupção que criou um rombo estimado em meio bilhão de reais para os cofres públicos de Salvador.
O caso é conduzido pela procuradora da República Flávia Galvão Arruti, titular do 8º Ofício de Combate à Corrupção. Na prática, isso significa que, além das sanções criminais que já tramitam na Justiça Federal, os envolvidos agora enfrentam as sanções previstas no direito administrativo.
O objetivo é punir empresas e gestores com multas pesadas, proibição de contratar com o poder público e o ressarcimento integral dos danos causados aos cofres do Sistema Único de Saúde (SUS).
Compartilhamento de provas
A nova fase da investigação foi impulsionada por uma decisão da 2ª Vara da Seção Judiciária da Bahia, que autorizou o compartilhamento de todas as provas colhidas na esfera criminal. Agora, o MPF terá acesso total aos dados da Polícia Federal e da Receita Federal para embasar ações de improbidade administrativa.
Relembre o caso
A Operação Strike, deflagrada originalmente em dezembro de 2021, revelou um esquema sofisticado envolvendo uma organização social que geria unidades de saúde em Salvador, como a UPA de Pirajá.
Segundo a Receita Federal, o montante de tributos sonegados e desvios chega a impressionantes R$ 500 milhões. O "modus operandi" envolvia uma empresa de fachada, onde o instituto contratava empresas em nome de "laranjas" que pertenciam, na verdade, ao próprio grupo econômico. Os serviços eram cobrados com valores inflados ou sequer eram executados integralmente. O dinheiro que deveria ser investido em remédios e leitos era desviado para pagar mensalidades de escolas de elite, financiamentos de imóveis e veículos de luxo para os dirigentes.
Gestões sob a lupa
As investigações apontam que o instituto recebeu cerca de R$ 615 milhões da Prefeitura de Salvador ao longo de dez anos, atravessando diferentes gestões municipais. A Receita Federal identificou indícios de que as licitações eram "direcionadas" para que a OS sempre saísse vencedora, mesmo apresentando propostas que descumpriam o edital.
Próximos passos
Com a abertura do inquérito civil, a Secretaria do 8º Ofício do MPF tem o prazo inicial de um ano para concluir os trabalhos. A procuradora Flávia Arruti já determinou a junção de cópias dos volumes principais do inquérito policial e das medidas cautelares conexas.