Justiça

Paciente cai da mesa de cirurgia no Sírio-Libanês: 'Acordei grogue, sangue jorrou e médico disse que foi acidentezinho'

Em processo, paciente de 49 anos pede indenização de 500 salários-mínimos, pensão mensal e ressarcimento de gastos após cirurgia na mão esquerda no hospital em São Paulo  |  Divulgação

Publicado em 27/08/2026, às 06h41   Divulgação   Redação Bnews

Um paciente, de 49 anos, processa o Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo, após afirmar que caiu da mesa cirúrgica ainda sob efeito de sedação e atingiu justamente a mão esquerda que havia acabado de ser operada. 

Fabiano Assanuma passou pelo procedimento em 28 de outubro de 2025 para tratar uma síndrome do túnel do carpo e afirma que foi deixado sobre a mesa após a retirada da máscara de ventilação, sem contenção física. A informação é do jornal Folha de São Paulo.

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De acordo com a reportagem, o caso é discutido em uma ação judicial que também tem como alvos o cirurgião Yussef Ali Abdouni e o anestesista Oswaldo Miranda Júnior.

Paciente acordou no chão

Fabiano afirma que acordou assustado no chão do centro cirúrgico, ainda sob efeito da sedação. Segundo o relato apresentado no processo, a queda aconteceu pelo lado esquerdo da mesa, fazendo com que a mão recém-operada recebesse diretamente o impacto.

"Acordei grogue, tinha muito sangue no chão e na minha mão", afirmou.

O paciente sustenta que não recebeu uma avaliação adequada após a queda e teve alta.

"Não pode ser normal uma coisa dessa, é muito grave o que aconteceu", diz.

Segundo o relato de Fabiano na ação, o cirurgião teria tratado a queda como algo sem gravidade.

"Foi só um acidentezinho, coisa que acontece", teria dito Yussef, conforme o paciente.

Dor piorou no dia seguinte

No dia seguinte à cirurgia, Fabiano acordou com uma dor intensa e progressiva. Ele afirma que tentou entrar em contato com o cirurgião, mas não obteve resposta.

Com a piora, voltou ao pronto-socorro do Sírio-Libanês. Segundo seu relato, recebeu múltiplas medicações, incluindo morfina, mas foi liberado sem passar por exame de imagem e sem que a causa da dor fosse investigada.

Na madrugada de 31 de outubro, o quadro teria piorado de forma acentuada. Fabiano relata horas de dor que descreve como insuportável, além de tremores, crises de choro e uma sensação contínua de queimação, que compara a "fogo" na mão.

Médico suspeitou de síndrome compartimental

Uma amiga levou Fabiano ao Hospital São Camilo. Segundo o paciente, o médico plantonista considerou o quadro grave e levantou a suspeita de síndrome compartimental, emergência provocada pelo aumento da pressão dentro de um compartimento muscular.

Ainda conforme o relato, havia dor intensa e risco de perda do membro afetado. O médico recomendou que Fabiano retornasse imediatamente ao Sírio-Libanês para que o cirurgião responsável fosse acionado.

De volta ao hospital, Fabiano afirma que Yussef informou haver um coágulo dentro do curativo e que seria necessário reabrir o corte cirúrgico para removê-lo.

Segundo o relato apresentado à Justiça, o cirurgião retirou os pontos e realizou uma manobra manual, com apertos intensos na região. Fabiano descreve o procedimento como extremamente doloroso.

Cerca de 40 minutos após a abertura do corte, ainda segundo o paciente, não havia sinal de coágulo. Em seguida, teria ocorrido um extravasamento súbito de sangue arterial pela abertura do curativo.

"O sangue começou a jorrar, um Halloween ao vivo, atingindo parede, rosto e jaleco do médico", disse.

Fabiano precisou ser levado para uma área de emergência e passou por uma cirurgia realizada por um cirurgião vascular.

Paciente afirma ter perdido movimentos e sensibilidade

Segundo os advogados Leandro Oliveira, Tiziane Machado e Patrícia Gavronski, que representam Fabiano, uma requisição interna feita ao banco de sangue continha uma etiqueta alertando que um atraso no fornecimento do suprimento poderia acarretar óbito dentro do prazo de 15 minutos.

No processo, o paciente afirma ter sofrido destruição completa dos tecidos neurológicos. Ele relata perda total do tato, impossibilidade de movimentar os dedos, falta de força e ausência de percepção de pressão e temperatura nos dedos e na região palmar.

Fabiano afirma que precisará de pelo menos dois anos de reabilitação. Atualmente, segundo ele, enfrenta dificuldades para realizar tarefas como cozinhar, vestir-se, fazer a higiene pessoal, trabalhar e usar o celular.

Na ação, ele pede indenização por danos morais de 500 salários-mínimos, pensão mensal e restituição dos valores gastos com fisioterapia e tratamento psicológico.

"Havia escolhido o Sírio por ser um hospital de renome, respeitado. Jamais imaginei passar por tudo isso", afirmou.

Hospital diz que ainda não foi citado

O Hospital Sírio-Libanês informou que ainda não foi citado pela Justiça e que prestará todos os esclarecimentos nos autos do processo.

À reportagem, a instituição também disse "reafirmar seu compromisso permanente com a segurança, cuidado e transparência para com seus pacientes".

O cirurgião Yussef Ali Abdouni foi procurado por mensagem de texto, ligação telefônica e e-mail, mas não respondeu. O anestesista Oswaldo Miranda Júnior também não respondeu até a publicação da reportagem. O processo ainda não foi julgado.

Classificação Indicativa: Livre


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