Justiça
Publicado em 10/06/2026, às 14h00 Foto: Divulgação Claudia Cardozo
Uma onda de bloqueios e suspensões de benefícios do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) tem acendido o alerta vermelho para milhares de segurados na Bahia e em todo o país. O grande problema que o trabalhador enfrenta hoje é o fator surpresa: muita gente só descobre que o dinheiro sumiu da conta na hora de passar o cartão no banco para fazer o saque mensal.
A intensificação das revisões administrativas e do chamado "pente-fino" do Governo Federal atinge em cheio aposentados, pensionistas e beneficiários de auxílios por incapacidade e assistenciais, como o Benefício de Prestação Continuada (BPC/LOAS). O pente-fino busca identificar fraudes previdenciárias, mas acaba engolindo quem tem direito legítimo por pura falha de comunicação ou burocracia.
Para entender o que está acontecendo e como blindar o benefício, o BNews conversou com o advogado Eddie Parish, especialista em causas contra o INSS e sócio do escritório Parish & Zenandro Advogados. De acordo com o especialista, o maior vilão dos cancelamentos atuais não é a perda do direito em si, mas sim o cadastro desatualizado.
“Muitos benefícios são suspensos por falta de atualização no CadÚnico, inconsistências no cadastro ou ausência de resposta a notificações do INSS. O segurado precisa acompanhar regularmente sua situação para evitar surpresas”, explica Parish.
As operações de pente-fino estão de olho em detalhes que costumavam passar despercebidos pelos segurados. Entre os principais motivos que geram o bloqueio automático estão:
A correria para regularizar a situação abriu margem para a ação de criminosos. Golpistas estão se aproveitando do medo do trabalhador para enviar mensagens falsas por SMS ou WhatsApp pedindo dados pessoais e até cobrança de taxas para "liberar" o dinheiro.
O alerta do especialista é direto: o INSS nunca cobra valores para realizar serviços ou auditorias.
“Antes de fornecer qualquer informação, é importante confirmar se a comunicação realmente é oficial. O segurado deve acompanhar as notificações por canais consolidados, como o aplicativo ou site Meu INSS”, pontua o advogado.
Se o pior acontecer e o benefício for cortado, a orientação é não se desesperar, mas agir com rapidez. O segurado tem o direito de apresentar uma defesa administrativa diretamente ao órgão para tentar reverter o bloqueio. Quando a via administrativa falha ou demora excessivamente para dar uma resposta, o caminho é buscar a Justiça.
“Quando o benefício é cortado de forma indevida, o segurado tem direito de buscar a reversão da decisão. O importante é agir rapidamente e reunir toda a documentação necessária para comprovar o direito ao benefício”, orienta Eddie Parish.
Para passar longe do radar do pente-fino, a recomendação prática dos especialistas é criar o hábito de consultar o extrato de pagamento e o Cadastro Nacional de Informações Sociais (CNIS) pelo menos uma vez por mês, além de manter toda a papelada médica e pessoal sempre guardada e organizada.