Justiça
Publicado em 08/06/2026, às 11h32 - Atualizado às 11h51 Reprodução / CNJ Yuri Pastori
O desembargador afastado do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJ-MT), suspeito de participar de um esquema de venda de decisões judiciais, foi alvo da Polícia Federal (PF) nesta segunda-feira (8). Conforme noticiou o Valor Econômico, a corporação cumpriu mandados de busca e apreensão expedidos pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) em endereços do magistrado.
A operação tem o objetivo de aprofundar "investigações relacionadas à suposta comercialização de decisões judiciais e à prática de lavagem de dinheiro" no TJ-MT. O início da investigação ocorreu após a extração de dados em aparelhos celulares de investigados e no compartilhamento de informações com o CNJ (Conselho Nacional de Justiça).
As investigações apontaram a possibilidade de que o desembargador Dirceu dos Santos, que foi afastado do CNJ em março, usava o deputado estadual Faissal Calilcomo (PL) como o seu operador financeiro para recebimento de valores de forma indevida.
De acordo com a PF há suspeitas de "quitação de passivos familiares e triangulações imobiliárias simuladas com terceiros ("laranjas"). As condutas buscavam conferir aparência de licitude ao proveito dos crimes. A investigação ainda apontou repasses sem lastro negocial justificado, oriundos de empresas do agronegócio que possuíam litígios agrários em trâmite no tribunal".
Em março deste ano, Santos foi afastado pelo CNJ. O órgão apontou que ele movimentou mais de R$ 14,6 milhões nos últimos cinco anos. A quebra dos sigilos bancário e fiscal do magistrado mostrou uma variação patrimonial "em patamar incompatível" com os rendimentos do juiz. Na ocasião, o TJ-MT afirmou que colabora com as investigações.
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