Justiça

PF demorou sete meses para entregar quebra de sigilo de Lulinha ao STF

Demora ocorreu em meio a atritos entre a PF e André Mendonça, que chegou a determinar o envio dos dados brutos das quebras de sigilo do filho de Lula  |  Lulinha - Reprodução

Publicado em 19/08/2026, às 12h58   Lulinha - Reprodução   Eduardo Costa

A Polícia Federal demorou mais de sete meses para enviar ao ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), os dados das quebras de sigilo de Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

De acordo com informações do jornalista Matheus Teixeira, da CNN Brasil, o longo tempo se deu devido a atritos entre a PF e Mendonça, que é relator dos inquéritos do INSS e do Banco Master.

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O ministro havia determinado a derrubada dos sigilos fiscal, bancário e telemático de Lulinha em dezembro de 2025, no âmbito da investigação sobre desvios de aposentados e pensionistas.

Por conta da demora, Mendonça determinou que a PF enviasse a seu gabinete os dados brutos do caso, ou seja, a íntegra das quebras. A corporação interpretou a decisão como uma invasão da autonomia investigativa da corporação. 

A Polícia Federal, inclusive, acionou  a Advocacia-Geral da União para estudar a apresentação de um recurso perante o STF para derrubar a ordem judicial, mas nenhuma medida jurídica foi concretizada.

Investigação

A Polícia Federal (PF) investiga indícios de corrupção e de tráfico de influência envolvendo o filho mais velho do presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Mensagens interceptadas pela PF mostram que Lulinha mantinha encontros com integrantes do núcleo duro do Palácio do Planalto e orientava os negócios da lobista Roberta Luchsinger.

A amiga de Lulinha era contratada por empresários que compravam a influência dela e a do filho do presidente para conseguir contratos. Os registros de entrada e de saída mostram que o filho de Lula esteve no Palácio do Planalto em 15 dias diferentes, entre junho de 2023 e janeiro de 2025.

O advogado Marco Aurélio de Carvalho informou à coluna que Lulinha foi visitar amigos e o pai no Palácio do Planalto. “Qual é o problema? Honestamente, ele nunca tratou de nenhum tema. Ele é amigo de muita gente, a exemplo do secretário do presidente (Marcola)”, explicou.

A Secretaria de Comunicação (Secom) da Presidência da República informou, em nota, que as visitas “tiveram caráter estritamente privado e não envolveram assuntos relacionados à Administração Pública” e que “não produziram qualquer desdobramento administrativo”.

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