Justiça
Publicado em 18/07/2026, às 10h51 Divulgação Henrique Brinco
A Procuradoria-Geral do Estado do Rio de Janeiro (PGE-RJ) ingressou na Justiça com três ações para apurar prejuízos de aproximadamente R$ 641,4 milhões sofridos pelo Fundo Único de Previdência Social do Estado (Rioprevidência) em aplicações realizadas em fundos administrados por empresas ligadas ao Grupo Master, atualmente em liquidação extrajudicial. As medidas foram protocoladas na quinta-feira (16).
Segundo a PGE, os recursos foram destinados aos fundos Revolution e Texas I FIA. No caso do Revolution, o Rioprevidência investiu R$ 481,4 milhões. Embora o patrimônio estimado do fundo seja de R$ 567,8 milhões, a Procuradoria afirma que a carteira permanece sob sigilo e é composta, em sua maior parte, por ativos de crédito privado com remuneração de até 180% do CDI, índice considerado incompatível com padrões de mercado.
Já o Texas I FIA recebeu aporte de R$ 150 milhões, mas o valor caiu para R$ 14,8 milhões em menos de um ano, representando desvalorização superior a 90%. Conforme a ação, 96% dos recursos estavam concentrados em ações da Ambipar (AMBP3), mesmo após questionamentos regulatórios envolvendo a companhia.
A PGE sustenta que o prejuízo no Texas I FIA decorreu de uma operação coordenada para elevar artificialmente o preço das ações da Ambipar. De acordo com a petição, a Trustee DTVM, citada em investigação sobre suposta lavagem de dinheiro, teria adquirido grande volume de papéis entre julho e agosto de 2024 por meio de fundos de investimento.
"O Rioprevidência foi vítima de uma armadilha arquitetada pela administração e pela gestão do Texas I FIA, que vendeu ao ente público quotas de um fundo lastreado em uma ação desprovida de fundamento", afirma a Procuradoria.
Em relação ao Revolution, o Estado aponta que a gestora Acura autorizou alterações no regulamento do FIDC Eicon, fundo investido pelo Revolution, que teriam prejudicado os cotistas. Entre as mudanças estão a renúncia a direitos de voto e a ampliação em 48 meses do prazo para amortização dos investimentos. A atual administradora, Versal, informou ao Rioprevidência que a Acura não possuía autorização para aprovar medidas que implicassem renúncia de direitos do fundo.
As ações incluem dois pedidos de tutela cautelar e uma ação de exibição de documentos, esta última sob segredo de Justiça. Além de garantir o resgate de R$ 481 milhões do Revolution, previsto para 17 de agosto, a PGE solicita o bloqueio de bens de empresas e dirigentes envolvidos, incluindo imóveis, veículos, embarcações, aeronaves, ações, marcas e criptomoedas.
Os pedidos de indisponibilidade patrimonial somam R$ 616,6 milhões. A Procuradoria também requer auditoria independente para verificar a situação do Texas I FIA e afirma que ambos os fundos ocultaram informações sobre suas carteiras após os pedidos de resgate, dificultando a avaliação dos prejuízos.
As medidas têm como fundamento o dever fiduciário dos administradores e gestores previsto na Resolução CVM nº 175/2022 e no Código Civil. A PGE pede que as decisões sejam concedidas em caráter liminar, sem ouvir previamente os réus, sob o argumento de risco de dissipação do patrimônio.