Justiça
Publicado em 11/09/2026, às 11h01 Foto: Divulgação Claudia Cardozo
"Preciso matar esse cara". A frase, disparada pelo empresário Daniel Vorcaroem julho de 2025 após descobrir que sua filha adolescente, Stella, havia sido filmada e o vídeo espalhado na internet, resume o nível de descontrole e a espiral de paranoia que tomou conta dos bastidores do banqueiro. O episódio consta em documentos de um inquérito sigiloso da Polícia Federalque vieram a público na madrugada desta sexta-feira (11) e expõem detalhes até então inéditos sobre uma estrutura clandestina de monitoramento, perseguição e intimidação.
Enquanto o noticiário tem se concentrado nos aspectos corporativos envolvendo o Banco Master, a análise telemática do iPhone 17 Pro de Vorcaro, apreendido durante a Operação Compliance Zero, revela como operava o braço armado e digital de sua rede de proteção particular.
O caso envolvendo a filha do empresário ilustra o grau de obsessão e o modus operandi da estrutura montada por Vorcaro. Ao saber das imagens gravadas no estabelecimento Amor St Tropez, na França, ele exigiu que seus operadores localizassem imediatamente o autor da filmagem, identificado como Sean Monteine.
A ordem direta incluía um artifício ilegal de que seus subordinados fizessem ligações se passando por agentes da Polícia Federal do Brasil para extrair os dados e os nomes de todas as pessoas que estavam à mesa do alvo. Os diálogos mostram que o grupo acionou o ex-policial federal Marilson Roseno da Silva, apontado como líder de um grupo de apoio apelidado de "A turma", para constranger e rastrear Monteine.
O material recuperado pela PF detalha uma engrenagem financeira robusta mantida para blindar Vorcaro a qualquer custo. O esquema era alimentado por repasses mensais de R$ 1 milhão geridos por operadores financeiros próximos ao empresário, como Fabiano Campos Zettel e Ana Cláudia Queiroz de Paiva, direcionados à empresa King Participações Imobiliárias, controlada por Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão (conhecido nos chats como "Sicário").
Desse total, cerca de R$ 400 mil mensais irrigavam diretamente "A turma", um grupo de seis integrantes com forte atuação de policiais federais voltado para:
A investigação aponta que a mania de perseguição de Vorcaro beirava o absurdo. Em trechos bizarros do inquérito, o empresário mobilizou sua estrutura de segurança e agentes públicos para caçar o operador de um drone que sobrevoava sua mansão em um condomínio de luxo em Nova Lima (MG). A suposta ameaça de segurança nacional acabou se revelando ser apenas um vizinho tentando localizar um cachorro perdido.