Justiça
Publicado em 23/04/2026, às 12h11 Foto: Divulgação Claudia Cardozo
Ficar sem condições de trabalhar por causa de uma doença ou acidente é uma situação que gera angústia e, logo de cara, uma dúvida prática: o que pedir ao INSS? A escolha entre o auxílio-doença e a aposentadoria por incapacidade permanente não é apenas uma questão de nome, mas de estratégia para garantir o sustento da família.
Muita gente acredita que pode escolher o benefício que preferir, mas a regra é clara. "Não é o segurado quem decide livremente. O que manda é o grau e o tempo de duração da incapacidade que o perito médico vai identificar", explica o advogado Eddie Parish, sócio do escritório Parish & Zenandro Advogados e especialista em causas previdenciárias.
O auxílio-doença (hoje chamado de benefício por incapacidade temporária) é para aquele trabalhador que está mal agora, mas tem chance de se recuperar.
"Se existe perspectiva de melhora, mesmo que demore meses, o caminho é o auxílio-doença. Ele serve como uma ponte de renda enquanto a pessoa foca no tratamento", afirma o advogado. Para conseguir, é preciso ter pago pelo menos 12 meses de INSS, a menos que seja um acidente ou uma daquelas doenças graves que a lei isenta dessa carência.
A antiga aposentadoria por invalidez só acontece quando não há mais o que fazer para o trabalhador voltar à ativa.
"A aposentadoria é o último recurso, para quando a incapacidade é total e definitiva. A perícia precisa entender que aquele profissional não consegue mais trabalhar na sua função e nem ser treinado para outra", destaca Parish. Ele reforça que, se a saúde piorar durante o auxílio-doença, é possível pedir a conversão para aposentadoria.
Um dos grandes motivos de negativa no INSS é a papelada mal feita. O advogado orienta que o laudo médico não pode ser econômico nas palavras.
"Não adianta o médico escrever apenas o código da doença (CID). Ele precisa detalhar as limitações. Por exemplo: se a pessoa tem um problema na coluna, o laudo deve dizer que ela não pode carregar peso ou ficar sentada por muito tempo", orienta. Além disso, se o INSS der "alta" antes da hora, o trabalhador pode entrar com recurso ou ir à Justiça.
Além dos exames, outros pontos pesam na hora de decidir o benefício:
Se o problema de saúde foi causado pelo serviço, o benefício é o "acidentário". "Isso é muito importante porque garante o depósito do FGTS mesmo afastado e dá estabilidade de um ano no emprego após a volta", conclui o advogado.