Justiça

Secretária aponta caminhos para evitar revitimização de mulheres: "A escuta é fundamental"

Durante o 3º Congresso CONAMP Mulher, secretária destaca a importância de evitar que mulheres revivam traumas de violência  |  Reprodução/Vídeo

Publicado em 19/08/2026, às 19h42 - Atualizado às 20h28   Reprodução/Vídeo   Analu Teixeira

Evitar que mulheres vítimas de violência precisem reviver repetidamente os traumas sofridos ainda é um dos desafios enfrentados pela rede de proteção. Durante o 3º Congresso CONAMP Mulher, realizado nesta quarta-feira (19), em Salvador, a secretária estadual de Políticas para as Mulheres, Camilla Batista, destacou a importância da capacitação permanente dos profissionais responsáveis pelo acolhimento dessas vítimas. 

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Ao falar sobre a revitimização, a secretária ressaltou que o problema precisa ser analisado dentro de uma sociedade que ainda carrega estruturas machistas e patriarcais. Para ela, oferecer atendimento humanizado passa não apenas pela existência dos serviços, mas também pela preparação de quem recebe essas mulheres.

"Primeiro a gente tem que entender que a gente vive numa sociedade extremamente machista, patriarcal, e que isso é histórico", afirmou.

Segundo a secretária, o Governo da Bahia tem investido na formação continuada de servidores que atuam diretamente com vítimas de violência, envolvendo profissionais das delegacias comuns e especializadas, Polícia Militar,Ministério Público e Defensoria Pública.

"Para a gente é fundamental não só prestar o serviço a essas mulheres para que elas se sintam acolhidas, em um espaço humanizado, mas que a gente faça esse processo de formação continuada com os servidores constantemente", explicou.

Uma das medidas citadas pela secretária envolve diretamente a formação dos integrantes das forças de segurança. Segundo ela, no final de 2025, foi aprovado na Polícia Militar um programa de capacitação continuada relacionado às mudanças na carreira.

Com isso, conforme explicou, os policiais precisam receber conteúdo específico relacionado ao acolhimento de mulheres vítimas de violência durante o processo de progressão profissional. A Polícia Civil também desenvolve capacitações por meio da Academia da Polícia Civil (Acadepol).

As iniciativas buscam preparar os agentes para que o primeiro contato da vítima com o poder público não resulte em uma nova experiência traumática.

Outro ponto destacado é a tentativa de reduzir a quantidade de vezes que uma mulher precisa relatar a violência sofrida ao passar pelos diferentes órgãos da rede de proteção.

Segundo a secretária, há um trabalho conjunto com as polícias Civil e Militar para aprimorar o compartilhamento das informações e possibilitar que a primeira escuta seja registrada. "A gente tem feito isso também na questão da inteligência, juntamente com a Polícia Civil e com a Polícia Militar, para que todos os órgãos tenham uma escuta que, na primeira audiência, já seja gravada, para que ela não passe por várias audiências revitimizando e falando das suas dores", afirmou.

Para a gestora, impedir a revitimização exige mudanças que ultrapassam um único órgão e envolvem toda a estrutura responsável pelo atendimento às mulheres. "Por isso que a gente tem feito esse processo de formação e de mudança estrutural dentro do sistema de Justiça e também dentro do sistema do Governo do Estado e do Governo municipal", concluiu.

O debate aconteceu durante o 3º Congresso CONAMP Mulher, promovido pelas associações nacional e estadual do Ministério Público. Realizado entre os dias 19 e 21 de agosto, em Salvador, o encontro reúne autoridades, especialistas e representantes da sociedade civil para discutir equidade de gênero e políticas voltadas às mulheres.

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