Justiça
Publicado em 31/07/2026, às 14h00 - Atualizado às 14h10 Foto: Bnews Claudia Cardozo
Idealizador da Associação Pracatum e uma das vozes mais ativas na defesa do impacto social da arte, o cantor e compositor Carlinhos Brown fez uma análise sobre o cenário atual da cultura e do terceiro setor na Bahia. Durante a palestra magna de abertura do 1º Fórum Estadual de Fundações, promovido pelo Ministério Público (MPBA) nesta sexta-feira (31), em Salvador, o artista criticou a dependência excessiva das festas de rua da iniciativa privada e dos governos e cobrou autonomia para que projetos sociais e blocos afros consigam se manter ao longo de todo o ano.
Segundo Brown, o modelo concentrado em grandes eventos de rua acabou empurrando as organizações para um gargalo econômico e criativo.
Trabalhamos 365 dias para entregar apenas sete dias de Carnaval. Nem todos os grupos conseguem sair do Estado ou se nacionalizar. É preciso que as festas populares e os ensaios voltem para suas casas, para a sua cadeia produtiva, garantindo a formação continuada desses jovens", alertou o músico.
Para o fundador da Pracatum, a sobrevivência e a relevância de entidades historicamente formadoras, a exemplo do Timbalada, Olodum e Ilê Aiyê, passam necessariamente pela independência financeira e pela capacidade de manter equipamentos culturais abertos de forma contínua.
O artista ressaltou que o governo precisa confiar na gestão comunitária para consolidar políticas públicas duradouras, superando a visão assistencialista do trabalho social.
"O primeiro setor precisa confiar na liberdade comunitária para gerar as oportunidades que buscamos. Já está claro que há lideranças preparadas nos bairros para dialogar de igual para igual com quem está nos gabinetes. O terceiro setor pode sim, mas as escolas e os centros de formação precisam continuar de pé", pontuou Brown.
Carlinhos Brown refletiu sobre o impacto da indústria da música comercial no comportamento dos jovens. Ele alertou para a proliferação de composições superficiais que banalizam temas graves como a violência doméstica, criando o que chamou de "educação reversa" em desacordo com os valores trabalhados pelas ONGs nas comunidades.
A busca pela 'música fácil' está muito distante do desejo de educação que nós temos no terceiro setor. Não adianta a gente formatar uma rede educacional que combate a violência doméstica, se a 'música da sobrevivência' traz esse mesmo tema pela via da banalidade. Respeitamos a liberdade de expressão, mas a verdadeira liberdade vem acompanhada da liberdade de educação e do conhecimento", concluiu o artista.
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