Cultura
Publicado em 05/02/2026, às 15h27 Leonardo Oliveira / BNews Cauan Borges e Leonardo Oliveira
Após a polêmica envolvendo o aumento dos cachês nas festas juninas, artistas do forró e representantes da cultura popular baiana se reuniram nesta quinta-feira (5), a partir das 11h, com a direção da União dos Municípios da Bahia (UPB), na sede da entidade, no Centro Administrativo da Bahia (CAB), em Salvador.
O encontro teve como objetivo a apresentação de uma proposta de Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) que prioriza a valorização de artistas baianos nas programações do São João. A reunião contou com a presença do presidente da UPB, Wilson Cardoso.
Um dos representantes do movimento, o forrozeiro Carlos Mattheus, explicou que a principal reivindicação do grupo é garantir que ao menos metade das atrações contratadas para os festejos juninos sejam artistas baianos ligados ao forró.
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Segundo Carlos, o São João envolve os 417 municípios do estado e movimenta uma ampla cadeia produtiva. Questionado sobre o impacto dos cachês elevados para os artistas locais, Carlos ressaltou que o tema não é prioridade neste momento.
“A pauta da reunião é exclusivamente garantir, no mínimo, 50% das atrações compostas por forrozeiros baianos. Existe também uma discussão sobre teto de gastos, com cachê máximo de R$ 700 mil, mas o nosso foco hoje é assegurar esse espaço. Essa pode ser uma pauta futura. Agora, o que a gente quer é a garantia de que, no mínimo, 50% das grades sejam ocupadas por forrozeiros baianos”, afirmou.
A forrozeira Alessandra Gramacho destacou a importância da reunião e reforçou que a proposta dos 50% envolve não apenas a presença nos palcos, mas também a distribuição dos recursos financeiros.
“Defendemos 50% na contratação de artistas que representem a cultura identitária e também na divisão dos recursos. Contratar artistas da terra movimenta a economia, fortalece a cadeia produtiva e gera retorno para o próprio Estado”, afirmou.
Segundo Alessandra, a redução do espaço para artistas baianos nas festas juninas tem provocado prejuízos significativos para a produção cultural local: “O principal gargalo é justamente a perda desses palcos no período em que mais trabalhamos. Isso impacta diretamente nossa subsistência ao longo do ano e dificulta a produção musical. Também é fundamental investir em editais que fomentem o forró e atraiam novos artistas para o cenário”, avaliou.
Após o encontro, Gabriel Carvalho, representante dos forrozeiros, fez um balanço positivo da reunião com a UPB. Ele afirmou que as reivindicações foram bem recebidas pelo presidente Wilson Cardoso e por outros prefeitos presentes.
“Houve uma receptividade muito grande à nossa pauta, que é ampliar a presença do forró e dos forrozeiros baianos nas festas de São João, inclusive com incentivo a artistas em início de carreira”, disse.
De acordo com Gabriel, já foi formada uma comissão envolvendo a UPB e os representantes do forró para aprofundar o debate. A proposta também deverá ser levada a uma reunião com representantes do Governo do Estado, com o objetivo de viabilizar as reivindicações e transformá-las em ações concretas.
O cantor Del Feliz classificou o momento como histórico e ressaltou a relevância simbólica e econômica do São João para a Bahia. Ele destacou que, embora o estado realize centenas de grandes festas juninas, praticamente todos os municípios promovem celebrações, o que reforça a força da cultura do forró. “Essa festa só é viável economicamente quando preserva sua identidade. Em determinado momento, começou a ficar estranho ver festas juninas sem os fazedores dessa cultura”, afirmou.
Del Feliz também ressaltou que nunca questionou os valores dos cachês de artistas de outros gêneros, defendendo o respeito à diversidade musical. No entanto, ponderou que a ausência de forrozeiros nos festejos compromete a identidade cultural do evento. Del elogiou a postura da UPB, do Ministério Público e do Governo do Estado na discussão do tema e relembrou a luta pela valorização do forró.
“Quem sabe agora a gente consiga avançar na regulamentação de leis importantes para o setor. Esse é um momento simbólico e muito importante para o forró, para as festas juninas e para a cultura da Bahia”, concluiu.
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