O
Teatro Castro Alves (TCA), em Salvador, recebeu nesta segunda-feira (10) um encontro exclusivo entre a imprensa e o elenco de “Moraes Musical Moreira”, montagem que revisita a vida, a obra e o legado do cantor e compositor baiano Moraes Moreira. Durante a programação, os jornalistas tiveram acesso a duas cenas exclusivas do espetáculo, que estreia nacionalmente na Sala Principal do TCA.
A produção aposta em uma narrativa que vai além da biografia tradicional.
A trajetória de Moraes é apresentada a partir da música, da dança, da cultura popular e da literatura de cordel, com a construção de duas figuras que representam diferentes dimensões do artista, o Poeta-Cantador e o Vaqueiro do Som.
O que dizem os protagonistas da peça?
Em entrevista ao BNews, o intérprete do Poeta- Cantador, Rodrigo Sestrem, contrastou a relação entre a trajetória de Moraes e as manifestações da cultura popular brasileira. Segundo o protagonista do espetáculo, a montagem procura levar ao palco elementos que fizeram parte da pesquisa e da produção artística do cantor, como o frevo, o ijexá e a literatura de cordel.
“Aqui são duas figuras que se completam. Eu, como o vaqueiro, que sou um cantador, vou para um outro lugar do povo, que é a cultura popular. Ele foi buscar muito isso através da pesquisa do frevo, do ijexá, criou uma batida no violão para simbolizar e também na literatura de cordel”, afirmou o ator.
Para Sestrem, a montagem também pode funcionar como uma forma de ampliar o alcance da cultura popular, tema que atravessa a obra de Moraes Moreira: “Quero muito que essa cultura popular, que ele defendeu tanto e pela qual ele se apaixonou e quis espalhar, que essa peça, esse musical, seja mais uma força, mais uma manifestação de força dessa cultura”, completou.
O ator Cris Meirelles, que carrega a responsabilidade de interpretar o Vaqueiro do Som, também destacou a relação de Moraes com o público e com a construção de uma arte coletiva. Para o cantor, a obra do músico baiano que inspirou gerações carrega uma defesa da presença popular em diferentes espaços da sociedade.
"Dá até um aperto no coração, porque a gente está com muitas emoções. Eu acho que, de tantas coisas, eu destacaria esse artista que, na sua busca quanto pessoa pública, teve a importância do povo, da presença do povo, de valorizar uma arte e lutar para que uma arte continuasse sendo coletiva, acessível a todas as pessoas”, afirmou em bate-papo com o BNews.
Meirelles ressaltou ainda que a concepção do espetáculo permite discutir a presença de diferentes grupos sociais na produção cultural: “A gente foi ouvindo na obra dele e me dizendo que eu quero essas pessoas, todas as pessoas na praça. Então, acho que eu saio com essa vontade de que a gente saia daqui dizendo a presença do povo, o povo real, não é a caricatura do povo, não. O povo somos nós mesmos”, declarou.
Foto: Reprodução / Cauan Borges
Foto: Reprodução / Cauan Borges / BNews
Foto: Reprodução / Cauan Borges / BNews
Foto: Reprodução / Cauan Borges / BNews
Foto: Reprodução / Cauan Borges / BNews
Foto: Reprodução / Cauan Borges / BNews
Foto: Reprodução / Cauan Borges / BNews
Uma trajetória baiana transformada em espetáculo
Nascido em Ituaçu, no interior da Bahia, Moraes
Moreira foi um dos fundadores dos Novos Baianos e deixou o grupo em 1975 para iniciar uma carreira solo. Ao longo da trajetória, tornou-se um dos nomes centrais da música baiana e brasileira, com uma obra marcada pelo diálogo entre gêneros como frevo, samba, choro, baião, rock, bossa nova e MPB.
O artista também teve papel importante na relação entre a música e o
Carnaval de Salvador, especialmente na consolidação da presença de canções em trios elétricos. Infelizmente, o compositor faleceu morreu, aos 72 anos, em 13 de abril de 2020, em sua casa no Rio de Janeiro. A causa da morte foi um infarto agudo do miocárdio enquanto dormia.
O musical utiliza essa trajetória como ponto de partida, mas não pretende reproduzir os acontecimentos da vida do artista de forma linear. A dramaturgia cria uma jornada protagonizada pelas duas faces de Moraes, que seguem em busca da Musa Música, acompanhadas pelo chamado Bloco do Prazer, elemento coletivo que funciona como uma espécie de coro da montagem.
A encenação combina teatro, música e dança, com cenografia alegórica, figurinos, visagismo e referências às manifestações populares brasileiras e nordestinas.
A direção é de Ana Paula Bouzas, com dramaturgia de Fábio Espírito Santo. A coordenação geral é de Fernanda Bezerra, enquanto Renata Mota assina a direção de arte. A direção musical é de João Milet Meirelles e Ronei Jorge, e a direção de coreografia fica a cargo de Jai Bispo e Isis Carla.
O elenco reúne 12 artistas, entre atores, atrizes, cantores, cantoras e multiartistas. Além de Rodrigo Sestrem e Cris Meirelles, integram a montagem Julia Tizumba, Diana Ramos, Luisa Muricy, Kadu Veiga, Mano Leone, Nana Nevez, Ofámirô, Rapha Gouveia, Sabiá e Saulo Ilogoní.
A montagem também conta com música executada ao vivo, elemento que ocupa papel central na encenação. O repertório percorre diferentes momentos da carreira de Moraes e dialoga com canções associadas à trajetória do artista, como “Preta, Pretinha”, “Pombo-Correio”, “Bloco do Prazer”, “Chão da Praça” e “Chame Gente”.
Estreia acontece nesta quinta-feira (13)
Depois do encontro com a imprensa, o espetáculo terá sua pré-estreia na quinta-feira (13), às 20h, no Teatro Castro Alves. A temporada aberta ao público está prevista para ocorrer entre os dias 14 e 30 de agosto, na Sala Principal.
Em Salvador, os ingressos custam a partir de R$50, com valores diferenciados de acordo com a localização dos assentos. A classificação indicativa é livre.
Após a passagem pela capital baiana, “Moraes Musical Moreira” tem circulação prevista por outras capitais brasileiras. A produção deve chegar ao Recife, de 4 a 6 de setembro, a Brasília, de 24 a 26 de setembro, e ao Rio de Janeiro, onde a temporada está prevista para ocorrer entre 5 e 29 de novembro.
Classificação Indicativa: Livre