Cultura
Publicado em 11/09/2026, às 17h08 Divulgação Cauan Borges
O orçamento estimado de “Dark Horse”, filme que retrata a trajetória política do ex-presidente Jair Bolsonaro, chamou atenção pelo valor projetado para a produção. Documentos divulgados pelo Intercept Brasil apontaram uma negociação de US$24 milhões, cerca de R$134 milhões na cotação da época, entre o senador Flávio Bolsonaro e o então banqueiro Daniel Vorcaro para financiar o longa.
O montante coloca a produção em uma escala bastante acima de diversos filmes brasileiros reconhecidos pela crítica, pelo público e por premiações. A partir dos valores informados, o BNews reuniu dez produções nacionais que custaram menos que os R$134 milhões associados ao projeto.
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Indicados ao Oscar de Melhor Filme Internacional em 2025 e 2026, respectivamente, “Ainda Estou Aqui” e “O Agente Secreto” estão entre as produções brasileiras que tiveram orçamento inferior ao valor negociado para “Dark Horse”, que não tem data de estreia definida pela Europa Filmes após os escândalos que envolvem o loinga.
O valor previsto para a obra supera, com folga, os orçamentos de produções brasileiras que alcançaram grande repercussão, receberam prêmios e chegaram a disputar algumas das principais premiações do cinema mundial.
“Ainda Estou Aqui” - R$ 45 milhões
Dirigido por Walter Salles, o filme estrelado por Fernanda Torres e Selton Mello se tornou um dos maiores sucessos recentes do cinema brasileiro e conquistou o Oscar de Melhor Filme Internacional. Seu orçamento estimado foi de aproximadamente R$ 45 milhões.
“O Auto da Compadecida 2” - R$ 30 milhões
A continuação do clássico de Guel Arraes e Flávia Lacerda retomou os personagens João Grilo e Chicó, interpretados por Matheus Nachtergaele e Selton Mello. A produção teve orçamento estimado em R$ 30 milhões.
“O Agente Secreto” - cerca de R$ 28 milhões
Dirigido por Kleber Mendonça Filho, o longa teve orçamento estimado em aproximadamente R$ 28 milhões. A produção ganhou destaque no circuito internacional e colocou novamente o cinema brasileiro no centro das atenções.
“Homem com H” - R$ 18 milhões
A cinebiografia do cantor Ney Matogrosso também aparece na lista, com orçamento estimado em R$ 18 milhões. O filme acompanha diferentes momentos da trajetória artística do cantor.
“Tropa de Elite 2” - R$ 16 milhões
Um dos maiores fenômenos comerciais da história do cinema brasileiro, “Tropa de Elite 2” teve orçamento de aproximadamente R$ 16 milhões. O filme dirigido por José Padilha se tornou um dos longas nacionais de maior bilheteria.
“Cidade de Deus” - cerca de R$ 8 milhões
Indicado a quatro categorias do Oscar, “Cidade de Deus”, dirigido por Fernando Meirelles, foi produzido com aproximadamente R$ 8 milhões. O longa se tornou uma das obras brasileiras de maior reconhecimento internacional.
“Bacurau” - R$ 7,5 milhões
Vencedor do Prêmio do Júri no Festival de Cannes, “Bacurau”, de Kleber Mendonça Filho e Juliano Dornelles, teve orçamento estimado em R$ 7,5 milhões.
“A Vida Invisível” - R$ 6 milhões
Dirigido por Karim Aïnouz, o drama baseado no romance de Martha Batalha teve orçamento aproximado de R$ 6 milhões. O filme foi premiado na mostra Un Certain Regard, em Cannes.
“Que Horas Ela Volta?” - R$ 4 milhões
O longa de Anna Muylaert, protagonizado por Regina Casé e Camila Márdila, custou cerca de R$ 4 milhões. A produção teve forte repercussão internacional e recebeu diversos prêmios.
“Marte Um” - R$ 1,25 milhão em recursos do FSA
Representante brasileiro na disputa por uma vaga no Oscar de Melhor Filme Internacional, “Marte Um”, de Gabriel Martins, teve R$ 1,25 milhão em recursos do Fundo Setorial do Audiovisual (FSA). O filme foi produzido pela mineira Filmes de Plástico.
A dimensão do orçamento de “Dark Horse” ganhou ainda mais atenção diante das investigações sobre a origem e a destinação dos recursos utilizados no projeto.
O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou a Polícia Federal a investigar Flávio Bolsonaro por suspeitas relacionadas ao financiamento do filme. A apuração teve aval da Procuradoria-Geral da República e busca esclarecer possíveis crimes envolvendo os repasses feitos por Daniel Vorcaro.
De acordo com as informações que vieram a público, Vorcaro teria repassado ao menos R$ 61 milhões para o financiamento do projeto. A Polícia Federal investiga, entre outras suspeitas, se parte dos recursos teria sido utilizada para custear despesas de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos.
Em depoimento e manifestações públicas, Flávio Bolsonaro negou irregularidades e afirmou que os recursos buscados para a produção eram privados. Em declaração recente, o senador sustentou que não havia nada de irregular em procurar investidores para financiar a cinebiografia do pai.
A investigação também ganhou novos elementos após o STF homologar a delação premiada de Antonio Carlos Freixo Júnior, conhecido como Mineiro. Segundo informações divulgadas pelo UOL, o empresário relatou ter participado da movimentação de aproximadamente R$61 milhões destinados ao fundo ligado ao financiamento do filme.
Com as apurações em andamento, “Dark Horse” passou a chamar atenção não apenas pelo conteúdo político da cinebiografia, mas também pela dimensão financeira do projeto. Se considerado o valor de R$134 milhões apontado nos documentos, o orçamento projetado supera individualmente os custos das dez produções brasileiras reunidas nesta lista.
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