Cultura
Publicado em 24/04/2025, às 08h29 - Atualizado às 09h05 Carla Sousa / Cora Fotografia Redação Bnews
Já ouviu falar no poder da palavra? E no poder de um livro? Agora, multiplique esse potencial quando a mensagem transformadora contida nas páginas é usada intencionalmente como ferramenta de autoconhecimento. Assim funciona a Biblioterapia — prática que utiliza a literatura para promover acolhimento e desenvolvimento pessoal. Neste 23 de abril, Dia Mundial do Livro, a jornalista Carla Sousa chama a atenção para essa ciência que tem conquistado cada vez mais adeptos no Brasil.
“Sempre gostei de escrever, não vivo sem um caderninho por perto. A relação com a leitura e a escrita só se intensificou com a Biblioterapia”, conta Carla, autora do livro Biblioterapia & Mediação Afetuosa da Literatura.
Inspirada por personagens como Penelope Featherington, de Bridgerton, Carla herdou do pai a paixão pelos livros e escolheu o jornalismo por amar escrever — uma espécie de Lady Whistledown moderna. No entanto, com o tempo, o encantamento pelas palavras foi se apagando diante da rotina exaustiva da profissão. Até que reencontrou a própria essência ao mergulhar na subjetividade da Biblioterapia.
Formada em Jornalismo pela Universidade Federal de Sergipe e com mestrado em Ciência da Informação pela Universidade Federal de Santa Catarina, Carla conheceu a prática em 2012. A identificação foi imediata. Mudou-se de Aracaju para Florianópolis, onde fez o mestrado, se especializou na área e vive até hoje.
“A Biblioterapia transforma vidas — a começar pela minha — e pela de tantos profissionais que decidem trilhar essa caminhada apaixonante e se tornam multiplicadores dessa prática tão poderosa”, afirma.
Desde 2017, ela se dedica exclusivamente à Biblioterapia. As vivências curativas que promove, nascidas do encontro entre livros e histórias reais, tornaram-se não apenas um ofício, mas um propósito de vida. Cada nova mediação só reforça sua crença nos benefícios das imersões literárias.
“A Biblioterapia é uma prática de cuidado com o ser humano que utiliza textos literários como recurso para promover saúde, bem-estar e qualidade de vida”, explica Carla. Com quase 50 mil seguidores nas redes sociais Instagram e YouTube (Doses de Biblioterapia), ela já formou mais de 2 mil pessoas, entre cursos presenciais e remotos — sem contar o público que acessa gratuitamente seus conteúdos.
Durante sua formação, teve como orientadora a professora Clarice Fortkamp Caldin, principal referência na área à época. Hoje, Carla é quem se tornou uma das maiores referências no assunto. Seu curso, lançado em 2020, já reuniu alunos de diversas partes do Brasil e de países como Portugal, onde mantém uma comunidade crescente.
“Acredito que é possível construir uma rede de pessoas conscientes do poder terapêutico da literatura, capazes de promover uma sociedade mais saudável. Não podemos mais ignorar a questão da saúde mental. Precisamos encará-la e buscar formas de suavizar e prevenir os danos. E, nesse sentido, a Biblioterapia se apresenta como uma prática inclusiva, democrática e transformadora”, defende.
A administradora Andréa Castro de Melo, 46 anos, natural de Sorocaba, é uma dessas multiplicadoras. Escritora e palestrante, ela descobriu o curso durante a pandemia. “A primeira transformação foi em mim. Ganhei um novo olhar sobre o mundo, com mais sensibilidade e empatia”, afirma. Hoje, Andréa se define como uma empreendedora da Biblioterapia e coleciona experiências marcantes. “Em uma das vivências, uma adulta me agradeceu emocionada: disse que era a primeira vez que alguém lia para ela acolhendo sua criança interior, sedenta de cuidado.”
A paulista Maria Adalgiza Pinto, 62 anos, também encontrou na Biblioterapia uma nova razão para viver. Apaixonada por literatura desde a adolescência — quando perdia a noção do tempo com os livros —, ela foi gestora de biblioteca pública e, na aposentadoria, descobriu a prática. “Foi amor à primeira escuta. Comecei a pesquisar, fazer cursos e agora estou iniciando a atuação profissional”, conta. Hoje, promove encontros terapêuticos com livros e textos acessíveis. “Muitas vezes, são pessoas que não tiveram oportunidade de estudar. A conexão com os textos e os objetos que uso nas vivências desperta emoções profundas e memórias especiais. Essas experiências me tocam, me transformam e me ajudam a enfrentar o envelhecimento com mais alegria e esperança.”
Os cursos Biblioterapia: Primeiros Passos e Formação Avançada de Mediadores de Biblioterapia — este último reconhecido pelo MEC, com carga horária de 150 horas — seguem com inscrições abertas. “Vejo muitas alunas renascendo depois que encontram a Biblioterapia. Gosto sempre de lembrar: primeiro é preciso se nutrir para depois transbordar para o outro”, finaliza Carla.
O curso introdutório está disponível on-line com aulas gravadas. Já a formação avançada inclui laboratórios e vivências em grupo com mediação em tempo real. As inscrições podem ser feitas pelo link na bio do Instagram ou pelo site.
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