Direto de Brasília
Publicado em 01/08/2017, às 16h37 Luiz Fernando Lima* e Shizue Miyazono
O deputado federal Valmir Assunção (PT) negou ao BNews na tarde desta terça-feira (1º) que o partido prefira manter Michel Temer (PMBD) na presidência ao invés de Rodrigo Maia (DEM) e afirmou que o mais importante para o partido é "restabelecer o processo democrático no Brasil". Ele declarou que o PT vai votar para afastar o presidente e trabalhar para aprovar a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) para eleições diretas.
"Para o PT o mais importante nesse processo é restabelecer o processo democrático no Brasil, ou seja, eleições diretas já. Esse é o que é mais importante pra nós. Rodrigo Maia e Michel Temer são farinha do mesmo saco, ou seja, Rodrigo Maia é presidente dessa casa porque Michel Temer apoiou, Michel Temer é presidente do Brasil porque Rodrigo Maia apoiou, então não tem diferença. Um é o DEM que é golpista, igualmente Michel Temer que é do PMDB, que é golpista, então não tem diferença nenhuma. O que está sendo debatido, e que eu acho, é que pelas vaidades do poder acredito que Rodrigo Maia tem assumido uma posição pública em defesa do padrinho dele e deve estar se articulando querendo sentar na cadeira de presidente da república pelos próximos seis meses. Isso é problema deles, nós vamos trabalhar para tirar Michel Temer e vamos trabalhar para não deixar Rodrigo maia assumir a presidência da república com eleições diretas", afirmou o deputado.
Para conseguir aprovar a PEC para eleições diretas, o parlamentar afirmou que é preciso a participação da sociedade, que as ruas pressionem o congresso. De acordo com Valmir Assunção, quanto mais o governo federal retira as conquistas, a população vai se indignar e vai chegar o momento em que a sociedade vai tomar a responsabilidade para si.
"Nós estamos vivendo um novo período na nossa história, a relação capital e trabalho é totalmente diferente, a questão dos momentos sociais tem outro perfil, nós ficamos 13 anos no governo federal e estamos em um processo acelerado de oposição, as organizações sociais tiveram muitas conquistas ao longo dos anos e começa a perder agora. Eu acho que quanto mais o governo federal vai retirando as conquistas, vai fazendo com que a população vá ficando mais indignada, vai chegar o momento em que a sociedade vai assumir pra si essa responsabilidade. Eu acredito no povo brasileiro e acredito que o PT está construindo um novo projeto de Brasil", concluiu.
Votação
Nesta quarta-feira (2), os deputados decidem em plenário se autorizam o Supremo Tribunal Federal (STF) a abrir investigação contra Temer por corrupção passiva. Michel Temer foi denunciado ao STF no dia 26 de junho pelo procurador geral da República, Rodrigo Janot, com base nas delações de executivos da JBS, no âmbito da operação Lava Jato. Janot também levou em conta a gravação em vídeo onde o ex-deputado e ex-assessor do presidente, Rodrigo Rocha Loures (PMDB-PR), aparece carregando uma mala com R$ 500 mil, saindo de um restaurante em São Paulo.
O requerimento será submetido à votação dos deputados, caso o plenário tenha a presença de pelo menos 257 parlamentares, quórum mínimo estabelecido pelo Regimento Interno da Câmara para votações. Depois que forem alcançados 342 votos, a Presidência da Câmara poderá proclamar o resultado. Para derrubar a denúncia, basta que a base aliada tenha a maioria dos votos dentre o mínimo de 342 votantes. Já para aprová-la, a oposição precisa do total de 342.
*Editor de política do BNews, Luiz Fernando Lima, direto de Brasília