Economia & Mercado

Expectativa de impeachment faz dólar cair a R$ 3,49, apesar de ação do BC

Publicado em 11/04/2016, às 18h25   Reprodução   Redação Bocão News (Twitter: @bocaonews)

As apostas de investidores de que haverá o impeachment da presidente Dilma Rousseff fizeram o dólar comercial atingir o patamar de R$ 3,49 nesta segunda-feira (11), apesar da atuação mais forte do Banco Central no mercado de câmbio. Estas são informações do site Folha.
A autoridade monetária realizou duas vezes leilão de swap cambial reverso para tentar conter a queda da moeda americana.
O Ibovespa fechou em baixa, após ter subido 3,67% na sexta-feira (8), acompanhando os índices em Nova York e com os investidores aproveitando para realizar lucros. Os juros futuros recuaram.
Além do cenário político, o real foi favorecido pelo cenário externo positivo, com alta das commodities e expectativas de mais estímulos à economia chinesa. A moeda americana recuou ante as principais moedas globais, e este ranking foi liderado pelo real.
O dólar comercial fechou em queda de 2,83%, cotado a R$ 3,4950, no menor patamar desde 20 de agosto de 2015 (R$ 3,4610). A moeda americana à vista recuou 2,74%, a R$ 3,5263, no nível mais baixo desde 21 de agosto do ano passado (R$ 3,4973).
O Banco Central realizou pela manhã leilão de swap cambial reverso, que equivale à compra futura de dólares pela autoridade monetária. Dos 20.000 contratos ofertados, foram leiloados apenas 7.700.
Ainda pela manhã, o BC anunciou novo leilão de swap cambial reverso, ofertando os 12.300 que não foram leiloados mais cedo. Nesta segunda operação, foram aceitos 5.000 contratos.
O BC realizou ainda a rolagem de swap cambial tradicional, aceitando 4.000 das 5.500 propostas. O swap cambial tradicional corresponde à venda futura da moeda americana pelo BC.
"Com a expectativa de impeachment, não há atuação do BC que dê resultado para conter a queda do dólar", afirma Reginaldo Galhardo, gerente de câmbio da Treviso Corretora.
Bolsa
O Ibovespa chegou a subir 1,58% na máxima da sessão, logo após a abertura, mas perdeu fôlego. A inversão de sinal acompanhou o movimento na Bolsa de Nova York.
O principal índice da Bolsa paulista fechou em queda de 0,25%, aos 50.165,47 pontos. O giro financeiro foi de R$ 6,913 bilhões.
Os investidores estavam à espera da votação do relatório favorável ao impeachment na Comissão Especial da Câmara. A previsão era de derrota do governo na comissão.
"Os investidores estão atentos agora ao placar de votos na comissão para ter uma ideia do que ocorrerá quando a votação for ao plenário da Câmara", afirma um operador. "Enquanto isso, à espera de fatos novos, o mercado aproveita para realizar lucros, mas o otimismo se mantém", diz um operador.
Analistas citam como mais um ponto desfavorável ao governo a ameaça de debandada do PP. Segundo o deputado Jerônimo Georgen (PP-RS), até o início da noite deste domingo (10), nove diretórios estaduais do PP haviam fechado posição favorável ao impeachment, entre eles SP, RS, PR, GO e MG.
No setor financeiro, Banco do Brasil ON avançou 3,06%; Itaú Unibanco PN, +0,50%; Bradesco PN, +2,11%; Santander unit, -1,30%; e BM&FBovespa ON, -1,25%.
As ações preferenciais da Petrobras tiveram alta de 1,57%, a R$ 8,39, mas as ordinárias recuaram 0,66%, a R$ 10,42 (ON). Já as ações da Vale subiram 5,00%, a R$ 12,80 (PNA) e 4,49%, a R$ 16,97 (ON).
Juros
Os juros futuros recuaram também em função do cenário político. As projeções de menores pressões inflacionárias, evidenciadas no boletim Focus, do BC, contribuem para jogar as taxas para baixo.
O contrato de DI para janeiro de 2017 caía de 13,800% na sexta-feira (8) para 13,770%, e o contrato de DI para janeiro de 2021 recuava de 13,750% para 13,570%.
O CDS (credit default swap), espécie de seguro contra calote e outro indicador da percepção de risco do país, caía 3,14%, para 377,840 pontos.
Exterior
As expectativas de maiores estímulos à economia chinesa e a alta dos preços do petróleo e do minério de ferro colaboram para o bom humor nos mercados globais.
Na Bolsa de Nova York, os índices operavam em alta, mas mudaram de direção com projeções de que os balanços de empresas americanas no primeiro trimestre deverão apresentar resultados ruins.
O índice Dow Jones caiu 0,12%; o S&P 500, -0,27% e o Nasdaq, -0,36%.
Na Europa, as Bolsas europeias fecharam no campo positivo: Londres (-0,07%); Paris (+0,22%); Frankfurt (+0,63%); Madri (+0,83%); e Milão (+1,25%).
Na Ásia, os índices chineses encerraram o pregão desta segunda-feira (11) com altas superiores a 1%, mas a Bolsa de Tóquio caiu após o dólar atingir a mínima de 17 meses ante o iene. 

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