Economia & Mercado

Após forte queda, Qualicorp sobe 11% na Bolsa

Na segunda (1º), os papéis da companhia haviam recuado quase 30%  |  Bruno Poletti/Folhapress

Publicado em 03/10/2018, às 06h17   Bruno Poletti/Folhapress   Folhapress

As ações da Qualicorp recuperaram parte das perdas da véspera nesta terça-feira (2) e avançaram 10,91%. Na segunda (1º), os papéis da companhia haviam recuado quase 30%, reflexo de um contrato de não competição oferecido ao fundador e presidente da Qualicorp, José Seripieri Filho.

Criticado por participantes do mercado por ferir regras de governança corporativa, o acordo também está sob investigação na CVM (Comissão de Valores Mobiliários), que não comenta o processo.

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A Qualicorp nega que a tenha descumprido regras de governança corporativa.

O conselho de administração da empresa informou na segunda que assinou um acordo em que pagará R$ 150 milhões a Seripieri Filho para que ele mantenha sua participação na companhia e se abstenha de lançar novos negócios no setor de saúde por seis anos.

O acordo pode ser prorrogado por mais dois anos. Atualmente, o executivo detém quase 15% das ações da administradora de planos de saúde.

O presidente pode vender suas ações caso ocorram mudanças no conselho de administração ou no comando da empresa, que hoje tem controle pulverizado. Neste caso, o executivo precisaria devolver parte do valor recebido.

O contrato foi firmado no dia 25 de setembro, mas só foi tornado público uma semana depois e sem passar por votação em assembleia de acionistas da empresa.

Entre os acionistas está a XP, com 5,12% das ações da empresa, e a Wellington Management, fundo americano que detém 5,44% da Qualicorp.

Para Mauro Rodrigues da Cunha, presidente da Amec (Associação de Investidores no Mercado de Capitais), o contrato é um escândalo e excessivamente vantajoso para o executivo.

"O fato de fazer um pagamento de quase 5% do valor da companhia para o presidente é um escândalo", afirma.

Ele argumenta que a remuneração de executivos é aprovada em assembleia, e havia sido repactuada em abril deste ano.

Na ocasião, a remuneração de Seripieri Filho foi elevada para R$ 24 milhões ao ano. Ele diz ainda que a indenização por não competição pode ser paga a um executivo que saia da companhia, o que não é o caso da Qualicorp. "Está recebendo duas vezes", afirma.

Em relatório, BTG Pactual e Itaú BBA classificaram a decisão como uma mensagem ruim de governança corporativa.

A recomendação da empresa foi revista para neutra pelo BTG.

Em comunicado ao mercado, a Qualicorp afirmou que o conselho de administração da empresa considera que o contrato atende a interesses da companhia e que "o valor indenizatório pago ao acionista é adequado, dentro de parâmetros de mercado e representa importante contribuição de valor para a companhia".

A empresa disse ainda que "o Conselho de Administração atuou dentro de sua competência legal, cumpre seu dever fiduciário e observa as regras de governança corporativa visando o interesse de todos os acionistas da companhia."

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